10 dezembro 2014

Novo reino do leão feito benfiquinha

E prontos, o FC Porto tem mais hipóteses com o Schalke como possível adversário na fase seguinte da Champions mas pouco futuro a sorrir-lhe na competição só para os maiorais. Passaram os alemães e transita o Sporting para a Liga Europa, para fazer a vez do Benfica e alegrar as transmissões da SICK na Primavera.
 
Não podia ver os jogos e em trânsito de volta à fronteira já captava rádios tugas e pressentia o velório ao intervalo, de resto extensível ao songa-monga do Dragão que não entusiasma muita malta a sofrer de amores pelas equipas lisbonenses. Valia então que o Schalke ainda não ganhava na Eslovénia e o Sporting não aguentava a pedalada cicloturista do Chelsea que, com pesar radiofónico, marcara dois de rajada e surpreendia os radialistas tugas talvez convictos de que seria possível vencer em Londres e de cuja hipotética proeza, e proclamada força leonina, as capas dos pasquins capitolinos gabavam antecipadamente.
 
Enquanto o FC Porto cumpria calendário, o Sporting afundava-se e o destino fugia-lhe das mãos com o Schalke a vencer onde ninguém conseguira. Independentemente de o FC Porto marcar ou perder, o som e o tom ecoavam de Londres e amplificava-se em Lisboa, consumada a eliminação prevista, mas muito lamentada e lamuriosa, da equipazinha que ainda vi encher-se de amarelos e ao Silva argentino ser perdoada a expulsão por acumulação, já eu jantava do lado de cá e via, por fim, todos os golos no fecho da emissão da SportTV.
 
Pareceu-me, sem ouvir se o Marco "nunca falo de arbitragens" Silva da moral de trazer por casa comentava alguma espécie de "o árbitro condicionou os meus jogadores com amarelos", que o Sporting acima de tudo se comportou como o Benfica, com arbitragens suaves na paróquia e com árbitros sem titubearem lá na estranja, mas isso deve ser também culpa da Gazprom que também patrocina o Chelsea, todos esses malandros, diria o nº 44 de Évora, o Marocas Chulares e até o amargo Salgado...
 
De volta à estrada e à rádio do carro, novo ânimo. O FC Porto vai continuar a cumprir calendário na Champions, está feito ao bife até porque com o Chelsea a evitar dois 2ºs como M. City e Arsenal estes ficam como mais prováveis adversários do FC Porto no sorteio de 2ª feira.
 
Quanto ao Sporting, entre esfusiantes delírios de que justificou ir mais longe não sei bem como nem porquê pois só conseguiu ganhar dois jogos de ganhar em casa, passou de fiel defunto a promitente vencedor da nova competição para a qual se apurou, afinal, com garbo e dará muitas alegrias e capas de pasquins doravante.
 
Mais uma vez, o fracasso na Champions desencadeará a fanfarra exuberante dos repescados e fartaram-se de colocar os leões no patamar dos favoritos, isto sem se saber que outros adversários sairão da Liga Europa além de outros repescados como Roma e Liverpool.
 
Claramente, senti que voltara a Portugal. Parabéns aos siameses de Lisboa, que não aos primos do Espírito Santo.

Obviamente, só ao chegar, tarde, a casa e ler algumas coisas avulsas dou conta tanto de mais uma bizantinice sócretina desta vez por um sucateiro daqueles que insitem em condenar o preso preventivo, como lembrar-me dos solilóquios ouvidos na rádio sobre Carrillo partir toda a defesa do Chelsea e Adrien Silva ser um portento de jogador.

Estou de volta ao Portugal que conheço de memória.

Sporting sem Champions interessa ao FC Porto e... à SICK

À parte o pormenor de o Chelsea poupar jogadores, mesmo que não perder em casa seja questão de honra mas sem necessidade de forçar mais do que o q.b. para o empate que sirva ao Sporting, temos um pormenor fundamental na perspectiva do FC Porto.

O FC Porto usará menos titulares, não é mais nem menos que os outros, e fará substituições com alguns titulares para domingo chamados a "aquecimento". Pelo que me apercebi ontem pela hora de jogo, no único vislumbre que dei ao jogo, a entrada de Talisca por Lima é um exemplo, o titular entra para a meia hora final, não para ganhar, apenas para rodar. Lima será suplente no Dragão onde, hoje, por exemplo, Adrián Lopez ou Aboubacar será titular até entrar Jackson para um treininho.

Há, de facto, preocupações notórias se avaliarmos o ângulo correcto, e despartidarizado, que merecem aferição. E bem melhor do que comentadores encartados mas já devidamente gastos sejam capazes de zurzir ou urdir teorias e afinar conceitos espúrios, como o pateta Marcelo a falar do caso Sócrates como um caso político e não de crimes vários em sede judicial, assim a modos como o Salgado era o responsável de tudo mas não sabia de nada, era antes o último a saber...
 
O Sporting terminar em 2º lugar no seu grupo é menos uma vaga, que seria a do Schalke mais acessível para os 1/8 final, para o FC Porto na fase seguinte. Porque ser 1º do grupo pode ter vantagens, mas havendo aí alguns 2ºs lugares como escolher entre ser o Atl. Madrid ou a Juventus (ontem, Juve é 2ªa e potencial adversário do FC Porto) ou entre o Barça ou o Paris SG (a definir hoje, os franceses para já na frente) não é coisa que se deseje para a ronda a eliminar. Se o Sporting se apurar, como não pode haver confrontos nacionais é menos um adversário que não se pode escolher e isso não é bom atendendo ao lote de tubarões que ainda sobram como 2ºs.
 
De resto, a torcer tanto ou ainda mais do que o FC Porto, a SICK (não é acrónimo, apenas a palavra inglesa para "doente" - minha nova designação dessa televisão doentiamente do regime e absurdamente centralista e mais papista que o papa - precisa desesperadamente de uma equipa, para mais lisbonense, para abrir a sua temporada europeia com a Liga Europa. Sem Benfica que foi manã caído dos céus nos dois últimos anos, depois de limitada a equipas menores nos dois últimos anos na 1ª fase de grupos, a SIC terá uma época ruinosa se o Sporting prosseguir na Champions. Decerto haveria aí várias equipas europeias com portugueses a justificarem umas transmissões mais apelativas mas provavelmente em horário de lanche e não em prime-time. Mas não seria a mesma coisa.

Para finalizar estas reflexões da Champions, o tema da Champions futuramente na RTP tem sido evitado mas não deixa de ser uma escandaleira. Sobre o que é, o que pode ser e o que não se admite que seja essa treta mastodôntica da RTP renitente a travar prejuízos está aqui resumido e com suporte linkado.

09 dezembro 2014

BESfica histórico

Poucos momentos na história recente de Portugal tiveram o seu dia em cheio como o de hoje e bem preenchido. Não a despedida europeia do Benfica, mas a revelação do colapso do BESfica, como designei o conluio entre banco e clube sempre a reboque de oportunismos de circunstância e, como em tudo o que a gestão sócretina se intrometia, atendendo à simpatia do ex-Primeiro-Sinistro que ainda se rodeia, mesmo na prisão, de amigos benfiquistas como o de hoje Manuel Alegre, com transferências financeiras decerto escoradas nas relações privilegiadas do regime com as instituições venerandas do mesmo.
 
A maratona em comissão de inquérito parlamentar, que segui interessadamente por largos períodos da manhã e da noite, é daqueles tempos em que se faz história e se expõe, no fundo, o regime e se percebe a magnitude, não a grandeza balofa, de personalidades e instituições.
 
Do Salgado, meloso e manhoso, que mandava em tudo mas nada sabia ao Ricciardi de faca na liga pondo sempre o primo como que já atrás das grades, não foi a infausta jornada da Champions a dominar o dia, mas o falso e falido império, mais um, que por uns tempos foi uma instituição de relevo, como um Big Borther a pairar sobre tudo e todos e a ditar muitas regras e conluios num tempo de governança em que muitos se governaram e quem se acobertou à sombra do poder instituído pôde andar sossegado - lembro, por exemplo, a roda livre justiceira movida pelo Benfica contra o FC Porto no auge de uma certa maneira de ser e de estar que foram os anos mais negros desde o 25/4. Só os parvos e distraídos julgaram casual o feroz ataque de que o FC Porto foi alvo, helás, por causa da Champions aqui há uns tempos.

Como associar o BES, o Benfica, Salgado, a governança e um Governo Sócrates? José Guilherme, ora nem mais... Ou só um patarata como Marcelo acha ser político o caso do prisioneiro preventivo 44? Não há mais motoristas, mais amigos da Silva, mais confrades e genuínos parceiros nas teias do poder? E no enriquecimento exuberante de umas quantas figuras? E os negócios fora futebol de um presidente de um clube de futebol, que até se blinda, como os bancos, num "ring fencing" estatutário que inibe concorrência e mata dissidência? 
 
E se este catra-pum bancário pudesse ser uma premonição para um futuro menos risonho de alguma entidade, escorada noutra de pés de barro, endividada até ao pescoço e cujo afastamento europeu se configuraria o prenúncio de mais cortes no aventureirismo tuga de empreitadas não propriamente lucrativas e que não granjeiam bom nome?

Estranha Champions... das equipas B

Não é da Youth League que se trata, mas parece. A solidificação deste modelo de Champions - aquele que, a 8 grupos de 4 equipas, mais tempo durou e pior fez à competição pelo acréscimo de jogos de significado nulo - só demonstra o risco, não direi perigo, de massificação desastrada da principal prova de clubes do mundo. Já não há muitos jogos decisivos na última jornada que hoje começa e parece-me ser este o ano, contas por alto, em que aumentam os jogos do tudo ou nada que... não valem nada.
 
Temos hoje o Benfica B, amanhã o FC Porto e até um Chelsea B, entre outros. Se isto não é descredibilizar a Champions... bem, temos a audiência de Ricardo Salgado principal DDT por mais de uma década mas que não sabia de nada de mais importante na trama GES/BES.
 
E nada como isto, inopinadamente, suceder no futebol ao Benfica B, que não joga para nada, nem para ganhar jogadores como diz Jesus que os ostracizou até à data, nem para dinheiro, que não precisa a avaliar pela desvalorização do impacto sem Europa nas contas como costumam negar a evidência na Luz, embora possa interferir, directamente, na definição do 1º lugar do grupo, à mercê do visitante Bayer Leverkusen que tem tudo a lucrar com o desinvestimento súbito do Benfica nesta ronda até à custa de uma receita substancial para despedida - ah, pois, o dinheiro não interessa, há aí aos montes em parcerias e projectos visionários.
 
Há dois anos era o Benfica que contestava o Barcelona por jogar em Glasgow com o Celtic com uma equipa sem muitos titulares e os escoceses ganharam 2-1. O mesmo Benfica que precisava de vencer em Camp Nou e defrontou um Barcelona sem 10 titulares mas que não se queixou do antidesportivismo catalão e o desinteresse seu que prejudicava terceiros, no caso o Celtic que só precisava de fazer o mesmo resultado em casa com o Spartak de Moscovo que o Benfica fizesse em Barcelona.
 
Mas não é só o Benfica que volta a ser apanhado em contrapé na moral e bons costumes. Não, o FC Porto amanhã não fará igual, porque já é 1º firme no grupo e o Shakhtar também está já apurado, o jogo do Dragão não interessa, isso sim, nem ao menino Jesus.
 
Já o Chelsea, apurado e seguro 1º lugar, pode apresentar uma equipa de recurso ante o Sporting. Sporting que precisa apenas de um empate para passar. Imagine-se o chinfrim que seria em comunicados e visitas a UEFA, FIFA e ONU se fosse o Schalke a beneficiar do potencial mais reduzido do Chelsea para lhe bastar um empate para a qualificação. Era a Gazprom, o árbitro, uma conexão qualquer casual e rara, enfim, baste ver as capas dos pasquins para se perceber que mesmo sem Champions em Lisboa a Champions está presente sem nunca estar presente.
 
Porque o Benfica já se poupa para domingo e porque o Sporting, bem, não interessa que o Chelsea jogue sem meia equipa titular, talvez, nem convém fazer ondas e questionar Mourinho sobre o assunto.
 
Por acaso até foi bom o Chelsea perder pela 1ª vez esta época, ou teríamos o sonho leonino de fazer a façanha primeiro, para mais vencendo em Stamford Bridge onde o nosso Zé não gosta de perder nem a feijões mas também é verdade que com o M. City a 3 pontos na Liga inglesa o feijão já começa a não caber no olhinho do Mourinho...
 
Em resumo, discutir a perda de interesse da Chanpions nesta fase não é importante. Pelo menos não se sente alguma reflexão sobre o assunto.
 
Coincide que eu também não terei tempo de ver os jogos, especialmente amanhã, pelo que a mim calha interessar-me pouco. A não ser esta chamada de atenção aos moralistas do costume que, como ´
e hábito, metem a viola no saco.
 
Domingo o chip mudou por completo. Ou talvez já a partir de amanhã nos dediquemos às coisas de mais doméstica e ordinária administração.

06 dezembro 2014

Mais além

Num jogo com intensidade certa desde o inicio, com dois belos golos de Jackson e um entendimento perfeito Tello-Herrera,  cedo o FC Porto marcou distâncias para a Academica e esvaziando o risco de barraca comi na derrota da época passada. Mas passou a pensar-se no duelo pela liderança ainda para lá do próximo jogo da champions. Lopetegui podia ter feito substituicoes mais cedo. Entraram Quintero,  quaresma e Aboubacar, percebendo-se que podem seer eles os titulares na 4a feira cabendo aos outros   entrarem.
Melhor ataque e defesa, mais ampla diferença de golos, agora também Jackson lidera os marcadores: o FC Porto parece chegar ao momento-chave da 1a metade da temporada no melhor momento também.
O jogo de domingo é essencial.

05 dezembro 2014

Boavista em estado Sócrates contra o "sistema"

Foram quatro cartas a OCS e nenhuma de trunfo as jogadas me(r)diáticas de um enclausurado Sócrates, ontem visitado pelo comissário da ONU para os refugiados, Guterres. Ainda há jornais para satisfazer, sabe-se lá se não mesmo para o Correio da Manhã que o assombra como o Sol,  porventura alguns amigos a quem duplicar as súplicas que denunciam o mal-estar do preso preventivo desacostumado destas torturas, versão pagante, pois exerceu as mais variadas enquanto mandante.

Mas em nenhuma deu o trunfo de desmentir os indícios que lhe apontam, logrando só dizer (à RTP, em nome de respeitinho antigo e como ex-colaborador próximo e pro bono) que o apartement de Paris era alugado graças a um amigo "avantajado" e não acheté... E lá vai dizendo cobras e lagartos, num ressentimento conhecido, mas parece que alguém pôs os pontos nos ii de tão desinteressada punção para contar a verdade dos factos. A carta ao DN de ontem já foi denunciada  como aquela em que não respondeu ao que lhe perguntaram e até o delfim do Marcelino deixou de se pautar pelo amiguismo marca da casa. E logo entre jornalistas, que Sócrates conheceu distintamente perseguindo uns tantos, entre o elogio ao Marcelino ou o ódio ao "jornalismo travestido" numa dupla ofensa a Manuela Moura Guedes. Tudo sob os auspícios das "gentes de bem", sejam as que o visitam assolapadamente a coberto do amiguismo pulhítico mas ainda sem Vara, nem Costa, nem "o" Câncio, ou os que requerem um habeas corpus só para saber mais umas coisas comprometedoras da detenção e do perigo público que representava.
 
Do mesmo modo, num momento em que o "sistema" mantém apertado controlo na táctica da cacetada, o Boavista insurgiu-se contra os juízes de campo, as apreciações críticas na Imprensa e no fundo contra os experts que ou menosprezam os axadrezados ou denunciam a sua violência. Três expulsos de uma vez, no passado domingo, fizeram transbordar o copo axadrezado.

Genericamente, ficamos a saber que em todos os jogos que perdeu, creio que 5 (ou 6), o Boavista teve jogadores expulsos. Relação de causa-efeito é desconhecida e não foi desmontada por quem há muitos anos usou o expediente, socrático dir-se-á, do escape da Imprensa. Sobram, portanto, uns 3 jogos com vitória e sem expulsões e um empate também a acabar com 11 - o único empate no Dragão, por sinal num jogo em que, contrariando também as expectativas, foi o FC Porto a acabar com 10, sendo Maicon expulso com meia hora de jogo.
 
Como Sócrates coberto pela Justiça a seu mando enquanto Primeiro-Sinistro, também o Boavista não se queixou das arbitragens quando não perdeu e decerto nem nesse empate sem golos no dérbi, embora o árbitro rigoroso Jorge Ferreira não usasse com dois ou três boavisteiros o zelo disciplinar exercido sobre Maicon, e bem volto a frisar mas não perdendo de vista as entradas dos boavisteiros.
 
Em vésperas de receber o Sporting, clube Calimero por excelência, esta reacção do Boavista contra o "sistema" só não teve, porque a Imprensa lisbonense não dá eco e muito menos as tv's alheias a minudências portuenses, repercussão maior por receber precisamente um grande da capital. Já em 2000-2001, a equipa de Jaime Pacheco era muito elogiada e foi devidamente amparada pela Imprensa que preferia o xeque-mate ao FC Porto e um título "histórico". Na época seguinte, a mesma equipa de Pacheco e onde pontificava Petit no meio-campo, já se tornou numa equipa, histérica, de caceteiros, tal e qual, na compita pelo título com o Sporting.
 
Enquanto recebe visitas, Sócrates tagarela, pelo que contam, sobre o Benfica e terá muito ainda para filosofar quanto ao aproveitamento da formação do Seixal preconizado pelo Grande Líder Vieira perante o qual, finalmente?, Jesus terá de ajoelhar-se mas, à boa maneira socialista em defesa dos "pobrezinhos", veremos se a promessa será cumprida...
 
Nas horas de vazio, ao que parece existencial, a filosofia é um bocado desprendida mas austera, ao modo estóico. Ainda veremos, a par dos paradoxos em que labora mentalmente e enquanto insiste em fintas à Justiça com o endiabrado advogado, Sócrates transformado em Zenão, estático no topo de um pilar do EP de Évora, ensinando a rectidão de carácter e o dever democrático genuíno de respeito pelas instituições - quiçá uma premonição para beber, como o grego, a cicuta a que o Povo votou o velho filósofo ateniense.

O Boavista-Sporting, por fim, permitirá ver o "easy going" do árbitro portuense Jorge Sousa que apitou o Sporting no Porto para a Taça.

04 dezembro 2014

Na eleição do melhor do ano a letra diz com a careta?

É complicado e até algo tortuoso tentar explicar como se elege o melhor do ano no mundo e, contudo, aí segue a campanha de marketing e publicidade a despeito de, invariavelmente e inexplicavelmente, sempre aparecerem Cristiano Ronaldo e Leonel Messi entre os três melhores.
 
Os argumentos já foram expostos, mas os de uma facção só não são aplicáveis ao Universo dos votantes representando 209 federações inscritas na FIFA e cujos selecionadores e capitães de equipa votam sob as mais variáveis tentações e circunstâncias, como divertidamente se constata ano a ano desde as remotas ilhas do Pacífico aos igualmente suspeitos enclaves pouco falados algures em cada continente, de San Marino e Ilhas Faroe a Burundi em África e Ilha Dominica nas Caraíbas ou Trinidad e Tobago ao largo da costa sul-americana mas inserida na confederação da América do Norte e Central (CONCACAF).
 
Do lado português, é legítimo que presidente federativo e seleccionador, este ou o anterior há pouco afastado, puxem e votem em CR7.
 
Mas ao elencar o argumento, Fernando Gomes volta a mostrar pouca inteligência e capacidade de expressão, pois alegar que o melhor do Mundial não tem de ser o melhor do Mundo num ano porque no Mundial já recebeu o seu prémio individual é o mesmo para quem foi Bota de Ouro e recebeu o troféu de melhor marcador europeu, por sinal ex-aequo com Luís Suarez...
 
Prefiro sempre não ir por aí. Embora admita como certa a opinião de Buffon: "Messi é o melhor do Mundo, mas CR7 foi o melhor de 2014". É límpido, convicto, pessoal mas objectivo e directo. Não tem subterfúgios como os do idiota presidente da FPF que de licenciado parece sempre mostrar muito pouco em fluidez verbal, Português escorreito e sólida argumentação lógica e correspondente à realidade.
 
O que fez Messi para estar nos 3 melhores do ano? Pouco, tendo em conta que nada ganhou e o título de melhor do Mundial cuja final perdeu foi tão surpreendente para ele como para todos. Estou à vontade porque prefiro Messi desde sempre e acho-o melhor jogador da actualidade desde há vários anos.
 
A minha eleição foi feita antes e depois do Mundial:
- no final da época europeia 2013-14, concluídos os campeonatos, o melhor foi para mim Gareth Bale:
i) protagonizou a mais cara transferência de sempre, o que pode ser apenas um rótulo mas que demonstrou em campo e comprovou o elevadíssimo valor pago pelo Real Madrid;
ii) além de golos a solo absolutamente incríveis ao longo da época, o galês fez o golo vitorioso da final da Taça do Rei com o Barcelona, correndo mais de meio campo; e marcou o decisivo 2-1 na final da Champions em Lisboa, praticamente decidindo a 10ª do Real Madrid
 
- mas no total da época passada, já com o Mundial em cima, e o que vai desta, o melhor do ano para mim foi Angel di Maria:
i) nunca jogou tanto e de forma tão intensa e contínua ao longo da época como desta vez, decerto contribuindo a sagacidade táctica de Carlo Ancelotti numa harmoniosa arrumação do Real Madrid;
ii) marcou um golo (1-0) na final da Taça do Rei com o Barcelona e para Bale marcar o 2-1 no prolongamento da Champions com o Atlético foi di Maria quem entortou toda a defesa conchonera em Lisboa, tanto que a descrição do golo de Bale só vale pela jogada que o propiciou;
iii) além de golos e jogo toda a época, di Maria fez um Mundial sensacional, ao nível de Messi e não fosse a sua lesão que o afastou da meia-final e da final talvez, acredito, a Argentina vencesse a Alemanha;
iv) para 2014-15, confirmando toda a época anterior, di Maria custou cerca de 80ME ao M. United.
 
Bolas, se isto não são números de melhor de um ano não imagino quais possam ser.
 
Fala-se dos golos de CR7, sempre aos montes e com um novo recorde na Champions. Mas teve de partilhar a Bota de Ouro com Suarez, ganhou o mesmo que di Maria no tocante a troféus mas o Mundial de Portugal desfaz o resto, pois Ronaldo nem passou a 1ª fase. A penosa final de Lisboa, com um casual penálti aos 120' para mostrar o peito num jogo em que correu sempre por fora, foi o mote para o Mundial por arames. Decidiu a Supertaça Europeia e tem marcado com consistência na Liga esta época e também na Champions mas com muitos penáltis a favor.
 
Põe-se no meio disto tudo a questão alemã: o Bayern foi cilindrado pelo Real Madrid na Champions, mas voltou a ganhar a Bundesliga e a Taça da Alemanha e foi o esqueleto da selecção alemã campeã mundial. Sem um jogador arrebatador, mas uma equipa dominadora em clube e na selecção, o futebol alemão pode mostrar um g.r. de nível superior ao mundo, como Neuer, mas para quem tem Goetze a decidir o Mundial ou Th. Mueller de novo um dos melhores marcadores do Mundial como em 2010, a coisa não convence muito quanto a "nomes".
 
Ora, mesmo não ganhando o Mundial, mas com um brilhante 3º lugar, a Holanda pode exibir Robben, campeão alemão com o Bayern. Mas Robben não aparece, da mesma forma que Sneijder não apareceu nos 3 primeiros em 2010, mesmo tendo ganho tudo com o Inter de Milão (campeonato e taça de Itália, Champions em Madrid com Mourinho), depois finalista vencido e infeliz do Mundial da Áf. Sul.
 
Como foi possível não escolher, melhor, definir Sneijder o melhor de 2010? Como, para cúmulo, não foi universalmente apreciado para figurar nos 3 primeiros? Como, com este exemplo, poderia agora Robben aparecer? E como o futebol holandês com executantes de primeira água passa despercebido no contexto mundial?
 
Ontem mesmo, via Twitter, ripostei a um tuíte de um jornal inglês que evocava a saída de Kevin Keegan, em 1977, do Liverpool para o Hamburgo para justificar a Bola de Ouro, então só para jogadores europeus, mas uma justificação que 10 anos depois não serviu a Paulo Futre, campeão europeu e uma final de sonho em Viena, antes de sair do FC Porto para o Atlético de Madrid. Quem ganhou em 1987 foi Gullit, apenas campeão holandês pelo PSV e que se transferiu para o Milan mas ainda era um relativo desconhecido e só em Itália, num ano, explodiu para a ribalta.
 
Em todo este enquadramento histórico e esquadrinhamento dos momentos de 2014, para determinar quem merecerá ser eleito o melhor jogador de 2014, a descobrir em Janeiro próximo, talvez se recorrermos à eleição do melhor treinador do ano se possa ter uma ideia do resultado, favorecendo o Mundial - como eu o fiz em relação a di Maria.
 
Apesar do extraordinário trabalho de Simeone com o Atlético campeão espanhol e de novo infeliz vencido da Champions 40 anos depois da desfeita com o Bayern, sendo que o futebol colchonero não primava pelo brilhantismo nem sequer pelo "cavalheirismo", presumo que será Loew o premiado pelo título mundial indiscutível no Brasil.
 
Como assim? Se em Espanha, apesar de tudo, mesmo com Simeone eleito o melhor treinador no seu campeonato, nenhum jogador do Atlético figurou na equipa do ano da Liga, como poderia incluir-se algum colchonero numa disputa mundial, incluindo o seu treinador de resto com um perfil truculento e complicativo pouco do agrado do público em geral?

Pois mesmo sem di Maria, por causa do Mundial em que apesar de tudo Messi foi um dos protagonistas principais até ao fim - e numa jogada só sua quase resolvia a final do Maracanã -, o argentino deve ter mais hipóteses do que na época passada onde uma jogada de bastidores da FIFA favoreceu CR7 na contenda com o estender da votação a abarcar os feliz 3 golos na Suécia.
 
O que torna tudo isto pouco apelativo, depois do episódio grotesco de 2013, e os argumentos usados em geral são pouco razoáveis mas sobre um de peso que o Mundo pode validar: o Mundial foi mesmo o acontecimento do ano. E só esse em 2014. E Messi, já recordista de sempre em Espanha e também na Champions, deve contar mais desta vez.

03 dezembro 2014

A eleição do melhor do ano: Brahimi traído pelos seus...

É um reconhecimento, o da BBC e a análise ao contexto do futebol africano, quanto à valia de Brahimi e a sua eleição como jogador africano do ano por um grupo (público) de Informação europeu (britânico). Sinceramente, acho tão curto de alcance este prémio como um Grammy Latino a Carlos do Carmo, do qual já falei aqui e mal comparado à relevância dada à taça latrina que era um mero quadrangular Primavera-Verão antes sequer de a UEFA existir.
 
Podem achar-me mauzinho, verrinoso e até abaixo disso, mas mesmo que o prestígio, notório, da BBC tenha peso institucional e internacional pelo profissionalismo que revela desde o campo noticioso à formação de qualidade no tocante à Informação e ao acompanhamento próximo dos grandes acontecimentos e protagonistas - não há igual na CNN ou CBS... - a verdade é que calha, por ironia, ser algo não relacionado com a origem do jogador.
 
O que me parece inacreditável é a CAF, a UEFA de África, por si ou por influência de Me(r)dia do continente, excluir Brahimi dos 5 melhores do ano no que lhes diz directamente respeito, lote onde estão jogadores de quem alguém fora de África mal ouviu falar. O que fizeram uns nigerianos para estarem nos 5 melhores?
 
  ACT: tirei a lista hoje da CAF (Nigéria nem à CAN vai, Gana fez muito pior no Mundial do que a Argélia, Aubameyang esteve num clube perdedor na Alemanha e só Yaya Touré, genuinamente o melhor de todos, ganhou algo de relevante, a Liga inglesa)

For the African Player of the Year, the shortlists are (alphabetical order)
1. Ahmed Musa (Nigeria, CSKA Moscow)
2. Asamoah Gyan (Ghana, Al Ain)
3. Pierre – Emerick Aubameyang (Gabon, Borussia Dortmund)
4. Vincent Enyeama (Nigeria, Lille)
5. Yaya Toure (Cote d’Ivoire, Manchester City
 
É costume, embora a tradição já não seja o que foi, nos continentes ditos marginais da bola mundial - todos que não sejam da América do Sul e da Europa a nível de confederações - destacarem as proezas dos seus clubes, equipas, selecções, jogadores e treinadores. Pois com uma Argélia que foi brilhante no Mundial, e a um nível raramente visto por outras selecções africanas este século em que foi alargado o seu contingente nas fases finais, e só foi vergada pela Alemanha que seria campeã mundial, não considerar Brahimi e mesmo Slimani, de quem gosto muito como perigosíssimo avançado de área, para a eleição dos melhores, quedando-se apenas entre uma selecção de 25 nomes.
 
Slimani marcou golos importantes no Brasil e destacou-se na estreia europeia com o Sporting.
 
Brahimi não só impressionou pela velocidade e técnica no Mundial como fez uma transferência importante para o FC Porto e acabou de ser eleito - aqui faz sentido - o melhor africano que jogou em Espanha na época passada pelo Granada. Brahimi destacou-se já com 5 golos na Champions, alguns brilhantes como os de livre directo e o slalom com o BATE na abertura dos grupos.
 
Brahimi já é falado por toda a Europa e foi traído pela sua África dividida entre os árabes do norte e os negros abaixo do Saara. E falado não é favor nem é pouco, quando Laurent Blanc já admitiu ser o preço do mercado a pagar justamente pelo seu Paris SG com 50ME que o argelino leva à cabeça.
 
Mas já percebemos fazer pouco sentido - e muito menos justiça - a eleição do melhor do ano seja onde for.

02 dezembro 2014

Sadinos sem basqueiro leonino

Já esqueci os pormenores, retenho só os pormaiores, mas constato a diferença de ruído do V. Setúbal em dois casos que refletem algum estado de alma, mais do que de espírito, patente na bola tuga e suas minudências. Aposto que não sabem do que estou a falar, ao contrário do Octávio que representou Setúbal, Porto e Sporting, o triângulo não tão diabólico deste petit faux-pas que acaba em beijos e abraços dos verdinhos do eixo Setúbal-Lisboa. 
 
A propósito deste recente caso de um erro técnico - fácil de comprovar - de William Carvalho ter marcado um livre com dois toques na origem de um golo sportinguista no sábado frente aos sadinos (que não vi, constato o que se diz por aí), fica bem os de Setúbal não criarem problemas ao Sporting mesmo que legalmente tenham razão e haja justificação para repetir o jogo. Porque opta o clube do Sado por aqui já não interessa muito, certo é que não cria ruído nem factos fantasmagóricos sobre coisinhas pouco influentes num jogo de futebol.
 
Porém, há cerca de dois anos, na disputa de grupos com o FC Porto na taça da treta, salvo erro, os sadinos empertigaram-se tanto como o Sporting por alegado atraso no reatamento do Porto-Marítimo da época passada. Os sadinos queixaram-se, berraram, estrebucharam, queriam mover este mundo e o outro por alguns jogadores do FC Porto utilizados nesse jogo da taça da treta terem sido utilizados antes na equipa B numa ronda da categoria cujos horários, tal como na taça da treta, sofreram alterações pontuais mas que, transversalmente, infringiam um regulamento - sendo que a culpa é da organização e não do clube. Houve, ali, uma adequação de circunstâncias para efeitos televisivos que causaram mais impacto do que os 15 minutos alegadamente infringidos, se bem se recordam (aposto que não e estou aqui, de novo, a dar o que não devia a pobres e mal agradecidos).
 
Agora que, ouvi na tv que basqueiro é uma das 10 palavras do ano seleciconadas para se escolher a "melhor" (?) - onde falta a Bola (de Ouro), bem como o Mundial (Brasil) e duvido que poucas fossem mais faladas em 2014, à excepção de corrupção -, constato que basqueiro é coisa tão desconhecida dos sadinos como foi para a patarata balofa deputada socialista Ana Paula Vitorino feita "tia de Cascais" horrorizada pela expressão "que se usa no Norte" de Pires de Lima numa sessão para lamentar que deuuuuuuuuu braaaaaadooo.
 
Fica o registo de mais uma idiossincrasia da bola tuga, bem a calhar com praticamente todos os seus maiores e menores protagonistas. Isto é como berrar aqui d'el Rei que a Justiça prende o Sócrates por cabala e não por corrupção, mas a condenação, por corrupção, de Duarte Lima, o que era protegido pela Justiça por ser do PSD em tempos, passa silenciosa e aprovadamente, sem um ai, um ui, um pio. Cumpra-se a Lei para os outros.
 
O Sporting já tem problemas que cheguem para se atazanar a vida dos viscondes e a solidariedade sadina só fica bem e será seguramente bem vista. Os basbaques jornaleiros enfiam mais uma carapuça por tudo isto lhes criar poucos problemas que eles também não suscitam em certos quadrantes do fraccionado País que uns julgam ser pequeno e, afinal, é bem grande e diferente de Norte a Sul. Podia haver basqueiro, mas não seria a mesma coisa e assim passa o que se temia fosse de proporção leonina a uma passividade sadina de realce. Eu, pelo menos, não gosto de deixar passar em claro e amiúde bastam-me uns sinais, porque raramente sigo a par e passo as parvoíces da bola tuga.

Desta vez, os sadinos não teriam tanta audiência como há dois anos. Tremelicariam, debitariam um comunicado e nada mais. O mal e a caramunha, está-se mesmo a ver... Diz-me quem avisas ou com quem te metes dir-te-ei se és bom rapaz ou deves estar calado mesmo.

Também não é despiciendo, ao contextualizar, que o erro técnico tão básico mas talvez difícil de ver os dois toques na bola seja do Artur Soares Dias que não costumava ver em Lisboa os flagrantes "bloqueios" que entravam pelos olhos dentro. Se foi este o árbitro, não adianta bater no ceguinho...

01 dezembro 2014

Do social(ismo)-benfiquismo

Este artigo, que não resisto a transcrever na íntegra e sublinhar algumas passagens, de Rui Ramos hoje, 1 de Dezembro que não é feriado nem teria de ser entre muitas outras datas festivas de Portugal, no Observador, com uma visão longe do politicamente correcto sobre a choldra em que alguns transformaram Portugal, resume todo um estado erguido direito nas bases da corrupção e compadrio de que são exemplo a Imprensa como método de propaganda para manietar a sociedade. E devolve-me, para quem me segue minimamente, ao inextricável bedum que marca a associação entre socialismo e benfiquismo, pois ao mesmo tempo que a choldra se agita por causa de um corrupto bandalho o Benfica até nos jogos mais fáceis e ganhos sem problemas e com pouco jogo continua, jornada a jornada, a ter os mais hediondos benefícios da arbitragem. Como na Política, é todo o regime que actua em nome e favor do Benfica no Futebol tuga.

Vi com alguma atenção, mas não o tempo todo, o Benfica pela primeira vez esta época no campeonato. Aliás, já havia 0-1 quando comecei... Mas foi fácil perceber outra desatenção proverbial da arbitragem em mais um golo fraudulento, marcado ainda por uma saída idiota do g.r. da Académica. Estava mais centrado no árbitro, o pesado Jorge Ferreira que deve acabar sempre com os bofes de fora. O seu rigor disciplinar expulsou Marinho com vermelho directo. Justificado. Mas daquelas entradas vemos muitas em várias equipas... Talvez Enzo Perez e Maxi Pereira estivessem avisados para o rigor disciplinar do árbitro que expulsou, bem, Maicon. O 0-1 cedo facilitou, retirou nervos e tensão, a Académica não era organizada para chatear na frente, não foi preciso recorrer a algo mais do que faltas e faltinhas em que Samaris começa também a entrar em jogo pleno.
 
Mas, pronto, ficou mais um golo em fora-de-jogo, agora não anulado para evitar sacrilégios vários e purgas desnecessárias.

Já tivemos n golos mal anulados aos adversários do benfas, penáltis negados também a outros adversários do benfas mas alguns inventados a favor do mesmo benfas.

Faltava esta peça, um fora-de-jogo fácil de ver num livre com um jogador bem adiantado e estático mas que passou, como a corrupção de Sócrates e o enriquecimento ilícito em que o socialista Sampaio uma vez quis atacar com a inversão do ónus da prova, como se passam estas coisas. Com vergonha, com silenciamento, com o regime a acobertar mais e mais corrupção. Com nojo. O panorama áudio-visual é o que é, como o novo secretariado do partido norte-coreano a "100% de votos" também um mimo de espírito democrático e abrangente que o edil da capital, benfiquista não por acaso e figura assídua da tribuna da Luz onde muita gente da Justiça tem assento igualmente, congregou sob aplausos e muita baba - até daqueles ex-jornalistas agora comentadores arrivistas a cumprirem o voto de "mais papistas que o papa" o que vai sendo difícil entre os idiotas Marques Lopez e Adão e Silva aos quais nem o novo recauchutado Marcelino chega aos calcanhares da desfaçatez sócretina.

Eu não quero ter nada a ver com Sócrates e tenho ideias para o País desde que não chova e inunde isto tudo. Os árbitros, impune mas alegremente, vão dando conta do recado na sua parte, erguendo alto e levando bem longe o andor pelas aldeias cá da terrinha.

Querem juntar 2+2? É menos difícil do que julgar o nexo causal entre socialismo e benfiquismo envolvido em negociatas dignas dos grandes nomes de Portugal. Por isso isto é o que é, leiam aqui que foi de onde hoje retirei isto:

Há ainda suspeitas de outras operações potencialmente ilícitas, entre elas duas reveladas a 19 de Outubro pela Revista 2 do PÚBLICO num trabalho intitulado “Crónica do Fim do Império”. Uma delas prende-se com a compra à Escom (detida pelo GES e devedor do BES), em 2006, por parte do construtor José Guilherme (de quem Salgado diz ter recebido uma prenda de 14 milhões de euros) de cerca de 30% das três Torres de Luanda em construção, por sete milhões de dólares. Esta posição seria revendida à Escom, antes de os andares serem postos à venda, por 34 milhões de dólares.
A segunda operação controversa está associada à dívida ao BES do universo empresarial do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, com créditos no banco liderado por Salgado, em 2012, da ordem dos 600 milhões de euros. O antigo administrador financeiro do BES, Morais Pires, reestruturou a dívida e colocou-a em fundos do BES Vida e da ESAF, o que permitiu retirar pressão sobre Luís Filipe Vieira, que deixou assim de constar na lista dos grandes devedores ao BES exigida pelo Banco de Portugal e pela troika.

Percebem o que é sincretismo informativo e reportagens da treta nas tv's do regime?
 

Sócrates nunca existiu e Costa é um génio
Logo que José Sócrates foi preso, toda a oligarquia política ficou preocupada com António Costa. As formas de vida que habitam as profundidades televisivas desmultiplicaram-se imediatamente em conselhos: acima de tudo, nada de Casas Pias. O guião ficou escrito no primeiro minuto.
Costa cumpriu a sua parte por SMS logo na manhã seguinte. Faltava agora compor o ambiente. Em primeiro lugar, era preciso impedir que o debate público resvalasse para regiões inconvenientes. A rolha usada foi a venerável figura jurídica da “presunção de inocência”. É uma garantia processual, que obriga os tribunais a considerar o acusado como inocente até a sentença transitar em julgado. Durante esta semana, passou a ser outra coisa: a obrigação de toda a gente proclamar solenemente a inocência de quem ainda não tenha sido condenado. A prisão de um ex-primeiro ministro, suspeito de crimes cometidos durante o seu governo, foi assim reduzida a um caso jurídico, que só os técnicos estavam autorizados a comentar.
Conseguido isto, faltava tratar do detido. Não era um manobra fácil. Convinha que não se sentisse abandonado (sabe-se lá como poderia reagir), mas também não convinha incorrer em solidariedades comprometedoras. O Dr. Soares foi destacado para a missão, com excelente efeito. A veemência da sua visita, graças à licença de excentricidade de que hoje beneficia, não responsabilizou ninguém, mas terá bastado para consolar o novo inquilino da prisão de Évora, ao ponto de ser ele próprio, nesse mesmo dia, em comunicado nocturno, a libertar os seus antigos correligionários de qualquer obrigação. Na FIL, este sábado, o galo pôde cantar três, seis, nove vezes.
Não devemos regatear aplausos: esta foi talvez a mais brilhante operação política dos quarenta anos de democracia. Costa apareceu no congresso à vontade, ao ataque. Citou Renzi, comentou o Papa, açoitou o governo, remoeu as ideias mais velhas do regime (qualificação, modernização) como se fossem frescas revelações divinas — e ignorou Sócrates. No fim, os aplausos continuaram nas páginas dos jornais, nos ecrãs de televisão. O país político estava encantado. Depois de superado o choque com Seguro, Costa ultrapassava a prisão de Sócrates, e proporcionava à nação o espectáculo reconfortante da maior demonstração de disciplina partidária de que há memória. Houve logo quem, na vaga de entusiasmo, lembrasse que a Casa Pia antecedera a maioria absoluta.
O estimado professor Marcelo tentou há dias intrigar o povo com a hipótese de que Costa fosse um génio. Mas a genialidade está ao alcance de qualquer político quando todo o regime se reúne para o amparar, a começar pela direita. Desde o PREC que a direita vê no PS a sua muralha da China. Os mais velhos ainda temem o PCP. Os mais novos receiam um “Podemos”. A direita dos interesses, que até gostou de Sócrates, passou a crise a lamentar que o PS não estivesse no governo. Daí o chuveiro de institucionalismo desse lado. Aprendemos que as pessoas não são as instituições, que as instituições estão a “funcionar”, que a “normalidade” nunca foi tão normal. Sim, o Dr. Pangloss fez escola em Lisboa.  
De facto, toda a oligarquia estava interessada em conter o escândalo. Talvez o ex-primeiro ministro agora preso seja, como alguns desesperadamente desejam, caso único, sem igual. Mas este regime deixou-o ascender e, durante seis anos, desempenhar o cargo que lhe terá permitido, apesar das dúvidas de sucessivas investigações e processos, praticar os delitos de que é suspeito. O que é que isso diz do regime? Toda a gente nos ensina agora que as instituições “funcionam”. Mas nunca funcionaram enquanto o ex-primeiro ministro mandou e, alegadamente, executava crime atrás de crime. O seu governo acabou, não por causa dos escândalos e das suspeitas, mas só porque a falta de dinheiro o precipitou na sequência fatal dos PEC. Que se deve pensar de instituições que precisam de grandes crises financeiras para “funcionarem”?

Entretanto, entre socialismo abrangente e só cretinismo permanente, O Jogo continua a esmerar-se. Ao jeito de Marcelo Rebelo de Sousa, julga sair-se com tiradas de la Palisse, falhando o golpe da credibilidade. Do fraudulento 2-1 do Guimarães - um penálti inventado pelo Collina minhoto e um golo limpo anulado que devia ter dado o empate no fim ao Moreirense -, O Jogo nada. De vitórias fáceis e tranquilas de Benfica e Porto, eis um benefício para cada um, concedidos magnanimamente aos adversários.

Gostaria de adivinhar, mas sou parco em invenções e menos ainda em narrativas à medida, se um claro golo irregular de Luisão teria destaque na capa se não houvesse, para contrabalançar correctamente a barca da sobrevivência, um penálti, pouco claro, a clarificar nas turvas águas do Ave no Dragão.

Como sempre, sic transit gloria mundi.