09 dezembro 2014

BESfica histórico

Poucos momentos na história recente de Portugal tiveram o seu dia em cheio como o de hoje e bem preenchido. Não a despedida europeia do Benfica, mas a revelação do colapso do BESfica, como designei o conluio entre banco e clube sempre a reboque de oportunismos de circunstância e, como em tudo o que a gestão sócretina se intrometia, atendendo à simpatia do ex-Primeiro-Sinistro que ainda se rodeia, mesmo na prisão, de amigos benfiquistas como o de hoje Manuel Alegre, com transferências financeiras decerto escoradas nas relações privilegiadas do regime com as instituições venerandas do mesmo.
 
A maratona em comissão de inquérito parlamentar, que segui interessadamente por largos períodos da manhã e da noite, é daqueles tempos em que se faz história e se expõe, no fundo, o regime e se percebe a magnitude, não a grandeza balofa, de personalidades e instituições.
 
Do Salgado, meloso e manhoso, que mandava em tudo mas nada sabia ao Ricciardi de faca na liga pondo sempre o primo como que já atrás das grades, não foi a infausta jornada da Champions a dominar o dia, mas o falso e falido império, mais um, que por uns tempos foi uma instituição de relevo, como um Big Borther a pairar sobre tudo e todos e a ditar muitas regras e conluios num tempo de governança em que muitos se governaram e quem se acobertou à sombra do poder instituído pôde andar sossegado - lembro, por exemplo, a roda livre justiceira movida pelo Benfica contra o FC Porto no auge de uma certa maneira de ser e de estar que foram os anos mais negros desde o 25/4. Só os parvos e distraídos julgaram casual o feroz ataque de que o FC Porto foi alvo, helás, por causa da Champions aqui há uns tempos.

Como associar o BES, o Benfica, Salgado, a governança e um Governo Sócrates? José Guilherme, ora nem mais... Ou só um patarata como Marcelo acha ser político o caso do prisioneiro preventivo 44? Não há mais motoristas, mais amigos da Silva, mais confrades e genuínos parceiros nas teias do poder? E no enriquecimento exuberante de umas quantas figuras? E os negócios fora futebol de um presidente de um clube de futebol, que até se blinda, como os bancos, num "ring fencing" estatutário que inibe concorrência e mata dissidência? 
 
E se este catra-pum bancário pudesse ser uma premonição para um futuro menos risonho de alguma entidade, escorada noutra de pés de barro, endividada até ao pescoço e cujo afastamento europeu se configuraria o prenúncio de mais cortes no aventureirismo tuga de empreitadas não propriamente lucrativas e que não granjeiam bom nome?

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