Agrava-se algo que diminui a credibilidade: dos jogadores aos treinadores, dos dirigentes ao "staf" de colarinhos brancos que pululam pelas SAD até
aos árbitros, há propensão para posições artificiais, umas funcionando como bodes expiatórios dos seus falhanços, outras para condicionar o parceiro do lado.
Podem os vários intérpretes do futebol português julgar que não, mas estão envolvidos num faz-de-conta pernicioso.
O "fiteirismo" dos jogadores que se rebolam pelo relvado ao primeiro sopro e fazem entrar os carros-maca para nada é de péssimo gosto; só serve para prejudicar o espectáculo. Os treinadores que se mostram incapazes de assumir o benefício irregular das suas equipas, encontrando sempre a desculpa mais esfarrapada, como a de que estavam a olhar para o lado ou a pentear macacos num golo obtido graças a um erro grosseiro, é do mais antipedagógico que há. Leve-se ainda em conta o patamar dos assalariados de gabinete para fazer veicular as mensagens mais convenientes, sempre prontos a fintar uma informação ou a valorizar a que mais jeito dá à sua instituição, nem que seja para desestabilizar a do adversário e, no topo da pirâmide quem está? Dois tipos de dirigentes: os que comandam cada clube e SAD segundo umbiguismo puro e duro e os outros, os que, na Liga ou na FPF, assobiam para o lado, incapazes de ditar regras e escapar ao eleitoralismo permanente.
Ah!, pois, e há os árbitros, uns sujeitos cobertos pela desculpa simples de que são humanos e, como tal, sujeitos a erro. O que lhes acontece quando influenciam resultados e, mais do que forjarem penáltis, são capazes de "inclinarem" os relvados numa só direcção com um festival de apito, como é exemplo fresco o Beira-Mar–Benfica e o trabalho de Lucílio Baptista? Muito pouco, para não dizer nada.
É este o quadro realista, mas lamentável, em que se movimenta o futebol português. A justificar uma pergunta cuja resposta não vislumbro: por quanto tempo mais resistirá a tanta artistice nefasta?"
Fernando Santos, jornalista in editorial d'O Jogo
"Visão
Lucílio Baptista
Esta época, antes do FC Porto-Benfica, Lucílio Baptista foi acusado, pelos encarnados, de ser um árbitro caseiro. Julgou-se que a acusação fazia parte da arte de "fair-divers" característica na semana de clássicos. Ontem, o árbitro fez questão de usar 90 minutos em Aveiro para provar que a acusação estava incorrecta."
Allcides Freire in O Jogo
É um grande contra-senso, mas sempre que vejo um jogo do Chelsea, inevitavelmente, torço por eles. Na liga inglesa seria muito natural, já que no clube londrino estão José Mourinho, treinador que para mim é o melhor, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Rui Faria, etc., mas na Champions League não seria normal que assim fosse. Nunca lhe vou perdoar não ter festejado a vitória na Champions pelo FCPorto, quero que nunca mais vença uma Champions na vida. Se calhar vou torcer por eles até à final e talvez aí a sua derrota poderá de algum modo fazê-lo sentir e saber que SpecialOne é o grande clube onde a venceu e que se não aproveitou para ser feliz naquela hora, dificilmente o será mais.
Não posso também deixar de realçar a grande humilhação provocada pelo Manchester United à Roma, ao bater esta por 7-1. Onde é que eu já vi este resultado? E pensar que estas humilhações só aconteciam a um certo clube português.


