13 junho 2007

Mercado de transferências: Certezas e rumores II

(Actualização)

S A Í D A S

Anderson > Manchester United

Vítor Baía > Fim de carreira

Pepe > Juventus = 20M + Micolli ou Manchester United

Bosingwa > Middlesbrough ou Tottenham

Quaresma > Atletico Madrid = 18M + Diego (Ex-S.C. Braga) ou Inter Milão

Lucho > Inter Milão

Ibson > Panathinaikos

Jorginho > Panathinaikos

Hélder Postiga > Olympiacos = 5M

Vieirinha
Cláudio Pitbull
Paulo Machado
Ezequias > Leixões (empréstimo)

Areias
Diogo Valente > V. Guimarães (empréstimo)

Helder Barbosa > Nacional (empréstimo)

Dispensáveis:
Alan
Bruno Moraes
Lucas Mareque
Paulo Assunção
Paulo Ribeiro


E N T R A D A S

Lino (Académica) – Defesa Esquerdo

Fernando (Vila Nova F.C.) – Médio de Transição

Nuno Espírito Santo (D. Aves) – Guarda-Redes

Mario Bolatti (Belgrano) – Médio Defensivo

Nuno Coelho (Standard Liége - Formação FCPorto) – Defesa Central

Castro (Formação FCPorto) – Médio

Rui Pedro (Formação FCPorto) - Avançado

Ventura (Formação FCPorto) – Guarda-Redes

Andres Madrid (S.C. Braga) – Médio Transição

Carlos Eduardo (Grémio de Porto Alegre) – Médio Atacante

Kazmierczak (Boavista) – Médio

Leandro Lima (São Caetano) – Médio Atacante

Manoel Morais (Vasco da Gama) – Médio Atacante

Mariano Gonzalez (Inter Milão) - Médio Atacante

Micolli (Benfica) – Avançado

Milan Javanovic (Standard Liége) - Avançado

Oscar Cardozo (Newell’s Old Boys / Argentina) – Avançado

Simon Vukcevic (F.C. Saturn / Rússia) - Médio Atacante

Van Damme (Anderlecht) – Defesa Esquerdo/Central

Envolvidos no negócio de Anderson, todos estes jogadores estão na lista de dispensas do Manchester United e podem ser hipótese:

Fangzhuo Dong (Emprestado ao Antuérpia/Bélgica) - Avançado
Gabriel Heinze (Manchester United) - Defesa Esquerdo/Central
Gerard Pique (Emprestado ao Zaragoza/Espanha) - Defesa central
Giuseppe Rossi (Emprestado ao Parma/Itália) - Avançado
Ji Sung Park (Manchester United) - Médio
Kieran Richardson (Manchester United) - Médio

12 junho 2007

O próximo líder

Com a esperada, mas ainda não confirmada, despedida dos relvados de Vítor Baía, o FCP irá perder a sua maior referência dos últimos anos, uma das estrelas que mais cintilou ao serviço dos Dragões e o jogador que mais títulos conquistou no Mundo.

Além das suas extraordinárias qualidades como jogador, Vítor Baía foi, durante toda a sua carreira, mas mais visível nesta época que findou, um líder no balneário e um verdadeiro capitão, sendo um intermediário eficaz entre o grupo de trabalho e a equipa técnica.

Várias foram as imagens e referências, por vezes injustas e maliciosas, sobre o relacionamento e a intimidade entre Vítor Baía e Jesualdo Ferreira, sentindo-se que, apesar da sua natural e compreensível insatisfação por não jogar, sempre respeitou as opções do seu treinador e sempre o ajudou para que a sua mensagem fosse bem interpretada para dentro do balneário.

Mas, em tudo na vida, todos os ciclos se fecham e é altura de se fechar o ciclo de Vítor Baía como jogador, agora qual será o seu futuro?

Parece que esta semana teremos, finalmente, novidades, o que já era tempo, e que o jogador já terá ideia daquilo que quer para o seu futuro, esperando apenas que o bom senso prevaleça entre ele e a SAD e que, no futuro, possa contribuir activamente no dia-a-dia do seu clube, e não como mero fantoche de quem lidera, como acontece noutros clubes.

Mas, com a sua despedida, levanta uma das questões mais importantes na próxima época: quem será o líder?

Todos sabemos que numa equipa deverão sempre existir líderes em quem o treinador possa confiar, para que a mensagem que ele pretende enviar aos seus jogadores passe com a maior clareza. Além do mais, um capitão deverá ser sempre o porta-voz dos jogadores e deverá procurar que os novos atletas possam ser imbuídos no espírito do Dragão e na sua mística, o mais rápido possível.

Na perspectiva do dono da braçadeira, Pedro Emanuel será o sucessor natural, a sua liderança, a sua garra, e o seu sentimento pela camisola, parecendo que já nasceu Dragão, aliados à sua inteligência e personalidade, dá-nos confiança para que ele seja uma grande, senão a maior, referência no plantel da próxima época.

Por outro lado, vejo também no Bruno Alves um jogador com uma clara demonstração de liderança, com o seu amadurecimento na época passada e jogando ao nível que jogou, poderá ser um jogador para ser líder de um plantel futuro do FCP, aliás como desejo público dele numa entrevista ontem publicada.

Ricardo Costa, se ainda continuar no plantel, poderá ser também um bom elemento de balneário, já que, apesar de jovem, já tem a experiência necessária para exercer o papel de líder, e também ainda temos Lucho que, apesar da sua timidez, ou será tranquilidade, quando entra para o campo demonstra um espírito forte de Dragão, embora contido.

Na próxima época, o FCP poderá ter um plantel com muitos jogadores formados na escola do Dragão, em virtude de uma possível entrada de 3 ex-juniores, o que será um reavivar de outros tempos e poder-se-ão fazer mais líderes para um futuro, ainda mais, brilhante vencedor.

11 junho 2007

"Guerras"

"A guerra é a guerra mesmo quando é guerra fria. Aliás, em pleno Verão e no pino do calor até dá jeito que a guerra seja servida bem gelada, a acompanhar um peixinho grelhado numa esplanada qualquer. Pois é precisamente nesse clima de guerra fria e calculista que os grandes do futebol português preparam a próxima temporada. Ainda não houve ataques com armas convencionais e o arsenal nuclear está reservado para usar como último recurso, mas há movimentações de bastidores e rumores de recrutamento de aliados entre as hostes adversárias levados a cabo por espiões infiltrados, ao melhor estilo dos romances de John le Carré. Para quem nunca leu livros de espiões, há um ditado popular, uma espécie de princípio geral da inveja, que também descreve o clima actual e que diz qualquer coisa como isto: a galinha da vizinha é mais gorda que a minha. Por outras palavras, os grandes andam de olhos postos no plantel do vizinho do lado. E são olhos cobiçosos. Ainda antes do campeonato terminar, falou-se do eventual interesse do FC Porto em recrutar Miccoli, avançado do Benfica emprestado pela Juventus. Logo depois de ter terminado, os encarnados recrutaram Zoro, jogador referenciado pelos portistas. Os dois clubes disputaram o polaco Kazmierczak e, agora, surgiram rumores do eventual interesse dos encarnados em Mario Bolatti, o trinco argentino que o FC Porto vai contratar ao Belgrano. Na maior parte dos casos, os rumores não passam de difusos sinais de fumo, mas todos sabemos que onde há fumo, há fogo. Ou pelo menos uma faísca. E o FC Porto e o Benfica fazem faísca. O problema é que já toda a gente sabe disso. Empresários incluídos. E, na hora de negociar com qualquer dos clubes, a mera menção do nome do rival pode ajudar a inflacionar o preço. É que a guerra é a guerra, e na guerra vale tudo.

Realidade
"Seria um sonho representar um clube como o FC Porto"
Mario Bolatti, jogador do Belgrano"
Jorge Maia in O Jogo

Outras "guerras"

Juniores: FCPorto Campeão Nacional
FCPorto 1-0 Benfica
"O F.C. Porto sagrou-se este domingo campeão nacional de juniores ao vencer o Benfica por 1-0 na penúltima jornada. Um golo de Tiago Silva, aos 80 minutos, chegou para os dragões festejarem o título."
In maisfutebol

Iniciados
FCPorto 6-0 Benfica
5ªJornada
In fcporto.pt

Hóquei em Patins
Juvenis: FCPorto Campeão
FCPorto 4-1 Benfica
In fcporto.pt

Com tantas "guerras" perdidas, e estas foram só deste fim de semana, entende-se perfeitamente porque alguns tanto falam em apitos dourados e até pensam em deixar de participar em certas competições.

PS: A capa de jornal apresentada, obviamente, não corresponde ao jornal e ao texto do Jorge Maia.

09 junho 2007

a Tua Voz

somos feitos disto. de pó do caminho tatuado nos joelhos. de angústias gastas que não nos pertencem, de berros alucinados que morrem antes de nascer. de espaços vazios. somos fragmentos de ventos contrários que nunca se encontram. para sempre perdidos, para sempre encontrados. somos feitos disto. de paixões que se (des)gastam em lágrimas que não se choram. somos pedaços de corpos a caminho de pequenos nadas. somos intensos e vazios. somos concentrados mas dispersos. e, no meio de tudo, amamos. com uma irracionalidade suprema que nos devora o ser e nos alonga a sombra.

foram os 15 minutos mais longos da história do Dragão. acho que bati palmas quando entrou a equipa de andebol, vencedora da taça nessa mesma tarde. acho que olhei para o chão o resto do tempo. por natureza, sou de extremos: de mim, duvido sempre; neles, acredito até ao último segundo do último minuto da última hora da última vida. enquanto houver relva para comer. camisola para honrar. acredito sempre. acreditei contra o Paços, quando a derrota pesava num marcador que teimava em não se alterar. antes disso, acreditei contra o Chelsea. enquanto ganhávamos, enquanto empatávamos, enquanto perdíamos. muito antes disso, acreditei contra um AC Milan todo poderoso numa Liga dos Campeões que, na altura, era “outro campeonato”. [lembro-me direitinho do alinhamento do resultado: 1-0 para eles, 1-1 para nós, 2-1 para eles, 2-2 para nós, e, ó milagre, Artur e Jardel lá na frente, 3-2 para nós.] podia recuar até onde me lembro de mim e dos onze rapazes de azul e branco atrás de uma bola: acreditei sempre. neles, não em mim. mas – confesso – neste domingo vacilei. foram os 15 minutos mais longos da história do Dragão. olhei para o chão e disfarcei como pude as lágrimas que não soube reter, a dor que não soube ocultar. pensei que a vida era assim: lutamos e ganhamos e permanecemos na frente. marcamos um golo e julgamos que a história acaba ali, que o coração pode explodir de uma só vez e os destroços são mesmo parte da festa. e depois vem algo que nos empata a alma. éramos o que tínhamos de ser e de repente já não o somos. éramos tudo e de repente acordamos no sonho errado. e sofre-se, aperta-se as lágrimas contra o peito porque as mãos não seguram mais nada. foram os 15 minutos mais longos da história do Dragão. mas eis que eles voltaram. e eu levantei os olhos do chão e o corpo da cadeira. e bati as palmas todas, desde o início da época até àquele momento, bati-as todas, sofri-as todas, berrei por vocês. mesmo vencidos, ainda que saíssem vencidos, tinha valido a pena. ainda que por dentro estivesse um trapo gasto de uma esperança que eu já não reconhecia, ia-vos apoiar até ao fim. é para cair? então vamos lá: caimos juntos.

e vocês responderam. e levantaram-se. se fosse para cair, eu caía convosco. de pé. mas vocês quiseram voar. e levaram-me nos braços. e as lágrimas caíram, mas bem lá de cima. onde só quem se supera consegue chorar.

somos nós,
a Tua Força, a Tua Voz.
tu nunca estarás só,
força Porto, vence por Nós!

até ao fim. ganhar um campeonato, há mais quem o faça. mas sofrê-lo, senti-lo, chorá-lo. um estádio inteirinho a gritar por ti, Baía (o primeiro e o último de todos os campeões). um argentino a atravessar meio campo para abraçar um português. um Pepe a esquecer o sotaque para gritar bem alto “e quem bate palmas é tripeiro!”. um Fucile deslumbrado com o carinho dos adeptos a disparar memórias numa câmara fotográfica. um Bosingwa eufórico, a dançar ainda o apito final não tinha acalmado a dor pouco antes tão sentida. um Adriano a mostrar que ficou por nós, para nós. um Lisandro imparável, um Lucho a jogar como há muito não o via. um Bruno Alves, a calar os descrentes com um crescimento inimaginável. um Meireles que demorou a chegar ao varandim – era a barba, a promessa que foi desfazer. um Hélton, companheiro e lutador. um Anderson, a magia na cara de uma criança. um Quaresma, sempre tão capaz do melhor e do pior, sempre tão genial. e um Jesualdo a sorrir. um Jesualdo, finalmente, a sorrir. de ti, que toda a gente duvidou. para ti, este título numa bandeja de espanto! tu, que recebeste uma equipa fragmentada, violentada por um treinador que quis impôr as suas vontades à força de pressões psicológicas e chantagem infantil. eu gostava dele. mas não lhe perdôo ter criado o turbilhão e abandonado o barco para morrer na praia. tal como menino mimado, aterrorizado com a hipótese de falhar. tu, Jesualdo, que pegaste numa equipa que não construíste, assustada e com vícios de forma, e a fizeste Campeã. tu, que nunca tinhas jogado “neste campeonato”, e soubeste ser grande. tu que trouxeste para o Porto uma política de sobriedade e sensatez. se jogas de uma forma mais tradicional do que aquela que eu gostaria? sem qualquer dúvida. se cometeste erros? uma porrada deles. mas soubeste erguer a cabeça. e aprendeste (aprendeste tanto desde o início da época até agora...). aguentaste quem te queria roubar o espaço e o mérito e foste de uma dignidade espantosa. se mais ninguém o diz, digo-to eu, arrancado cá das entranhas da alma que te aplaudiram sempre de pé: mereceste este campeonato inteirinho. e quero que fiques para o ano, quero ser Campeã contigo outra vez. e quero a Europa. sim, não tenho medo de o dizer: quero a Europa. e sei que tu consegues. sei que sim.

somos feitos disto. foram os 15 minutos mais longos da história do Dragão. fosse como fosse, doesse onde doesse, eu sairia daquele estádio de cabeça erguida. e orgulhosa.

mas obrigada, rapazes. por calarem outras dores e me encherem a face de lágrimas. outras, que não as que isolo do resto do mundo. obrigada. do fundo da minha alma, ainda vos grito: OBRIGADA!

tripeiro eu SOU!

e tenho o Porto no meu Coração,
serás sempre a minha paixão,
eu dou a vida para seres Campeão.

a mim não me interessa onde vás jogar,
seja onde for sabes que eu vou lá estar,
nem a morte nos vai separar,
até no céu por ti eu vou cantar!

se dar a vida é exagero? não sei porquê... penso na quantidade de coisas pelas quais entrego a vida, dia após dia, nesta dança desigual que nem sempre sei dançar. no pouco da minha vida – no nada, às vezes – que ainda me pertence. mas no meio de tudo, amamos. no meio de todas as entregas em que gasto a minha vida, a tua nem será a mais irracional.

[e obrigada a ti. por estares lá, sempre ao meu lado. por protestares comigo, por ficares calado comigo, por festejares comigo. por me dares alento, ainda que em silêncio. por não te importares que eu te entorte os óculos num abraço incontido – erámos Campeões. seja onde for, sabes que nós vamos lá estar. até ao fim. enquanto houver relva para comer. camisola para honrar. eu e tu, sempre.]

eu sou Bi-Campeã. e vocês?


Catarina no blog inconTiNências de uma bióloga

PS: Eu sei que já foi há mais de duas semanas, eu sei que para muitos a conquista do título já está esquecida, mas este maravilhoso texto da Catarina é intemporal. Disse-lhe na altura que era um verdadeiro hino de amor ao FCPorto e disse-lhe que todos os portistas mereciam lê-lo. Só espero que se tenham deliciado com ele tanto como eu. Parabéns Catarina, tenho orgulho de ser do mesmo clube que tu, o nosso grande FCPorto.

08 junho 2007

Equipamentos Época 2007/2008

"Dragão aposta no branco como cor alternativa

O FC Porto apresentará os novos equipamentos no dia 1 de Julho, no arranque da nova temporada, sabendo-se já que o branco será a cor alternativa. Depois de apostas tão variadas como o roxo, o azul-claro, o azul-escuro, o amarelo ou o laranja, umas comercialmente mais bem sucedidas que outras, os portistas optaram agora por um tom mais discreto para o segundo equipamento, que apresentará, ma parte de traz da gola, a pequena imagem de um dragão, em vermelho. O equipamento principal também sofrerá alterações, ainda que pouco significativas. De acordo com o desenho aprovado, as actuais listas azuis vão estreitar-se, aproximando-se de um modelo mais tradicional. A mudança de equipamentos é um hábito anual contratualizado com a Nike, numa iniciativa que visa ampliar as receitas. A data escolhida para o lançamento também não é inocente: Julho e Agosto são tradicionalmente, dois dos meses mais fortes nas vendas, capitalizando a presença maciça dos emigrantes. A rivalizar com esse período, só mesmo o Natal."

In O Jogo

Nota: Já tinha lido outra notícia sobre os equipamentos do FCPorto para a próxima época que indicava que as listas do equipamento principal seriam mais estreitas, aliás como este texto também o indica, curiosamente a imagem, que veio com junto com este texto na edição em papel do jornal O Jogo, não parece corresponder a essa indicação. Mas é credível que o correcto seja exactamente o que está na imagem. De qualquer forma esta notícia é da exclusiva responsabilidade do jornal em questão.

07 junho 2007

Bendita realidade

Da cruel realidade exposta pelo Zirtaev na semana passada, a venda de Anderson ainda deixa os portistas presos ao passado, remoendo, invectivando, desesperando sem razão, à constatação, mais uma, da insustentável leveza que é a genética incapacidade de os clubes portugueses poderem competir com os milhões do estrangeiro.

Mas a leveza do futebol português, restringida à natural inferioridade no mercado global que é apanágio de todos os sectores da vida nacional, diz mais do mesmo sobre este aspecto das transferências, quando o futebol português, parodoxo ou não, está mais forte, muito mais forte. Parece-me um tiro na água ou no vazio.

Nada de novo, nada de actual sequer. Podia ser de há 10 anos, de há 20 anos. Até sair só nos próximos 15 anos. As regras, o futebol mercado, as transferências com a Lei Bosman funcionam assim, mais desbragadas desde 1995. Nada de novo. Constatações.

O futebol português não esteve sempre à mercê dos potentados? Desde quando se multiplicaram as vendas para o exterior? Dantes era só um por ano, o Futre ou Rui Barros, depois até o ocaso de Rui Águas deu para vender naqueles tempos loucos -- esses sim, irresponsáveis! -- do "calcio" que de muito poderio financeiro hoje compra e vende tudo, mas não compra ao mais alto nível a não ser com desconto tipo Ronaldo.

Em vez de lágrimas de crocodilo de carpideiras do regime, de olhar só o mau e não encarar o óbvio que entra pelos olhos dentro de um qualquer calhau que os tenha, há que pensar no que é inevitável fazer e não se pode contrariar - vender, mas vender bem - e no que se está a fazer.

No caso, porque parece que o Dragão está sob o fogo do Diabo, Pinto da Costa disse que vendido o Anderson não precisava de vender mais ninguém. Para mim era óbvio.

Pois é esta a grande notícia. A boa notícia. Aquela que deve seguir-se à notícia irrevogável de vender Anderson.

Pinto da Costa disse e ontem, pelo visto, repetiu em O Jogo, precisamente por intermédio de... um empresário. Rui Neno comunica que o presidente lhe disse que Bosingwa e Bruno Alves não são para vender. Para o ano há Europeu, os jogadores chegaram à Selecção, Pepe naturalizado também lá chegará e para o ano, com mais uma Liga dos Campeões e quiçá outro título nacional, poderão valer, esses sim, o dobro ou até o triplo do que hoje se parangona como ofertas da estranja mas que são irrelevantes face ao valor de mercado, com títulos no bolso e não títulos de jornais, que potencialmente terão no próximo Verão.

Aí, chegará a altura de vender, voltar a vender.

Mas não tem sido assim? Sempre?

Uma fatalidade alegre, porque os nossos clubes dependem da massa, não de manter os jogadores em vitrinas para o que não têm salários suficientes para lhes manter o brilho e a vontade de se exibirem ao mais alto nível. A não ser, caso Simão, para proteger as costas de quem não tem mais bandeira alguma para levantar e tentar salvar o salvável. Há parolos até que disseram ter o Benfica "escapado à investida do Manchester". Uff, que alívio...

Ironicamente, um empresário comunica o que o presidente do FC Porto já exprimira. Ninguém deve acreditar...

Ao mesmo tempo, a Selecção faz, olha!, olha!, um jogo amigável, para os camelos da margem sul, lá no Kuwait. Jogam Bruno Alves e Bosingwa já citados, mais Meireles, Quaresma, além e Deco e Paulo Ferreira vendidos não há muito tempo - tudo com a marca do Dragão!

Exibicionismos? Não, valor de mercado!

Agora digam lá se isto vos causa surpresa...

Em contraponto, tivemos mais uma vez o camuflar de certos actos de gestão que, por omissão de comentários, parecem formidáveis.

Houve quem vendesse património imobiliário, secretaria e secretária também, com a garantia de não precisar de vender jogadores. Bem, como notei em comentário a propósito, não só foi o Nani, foi também o Tello de borla (grande acto de gestão), o Custódio que de 5 milhões só rendeu 1,5, mais o Miguel Garcia também em fim de contrato, estes dois produtos da Academia e há um par de anos eleitos como jogadores de futuro pelas mesmas carpideiras do regime que se entretêm a questionar os negócios dos outros.

O que é insustentável, sim, são as manobras encapotadas de que a Imprensa é palco, veiculando teorias consoante a bandeira mas sem avaliar os bons e maus negócios, os bons e mais jogadores, as boas e más equipas ou... actos de gestão.

Na habitual homilia com ar professoral, como se pudesse destronar Marcelo Rebelo de Sousa, alguém elencava esta semana na televisão a péssima gestão portista na contratação de jogadores. É uma face do problema que se chama um monte de títulos, apesar de tudo isso, ganhos pelo FC Poto. Mas também quem considerou um "flop" a contratação de Jorge Fucile deve saber, quanto a outros cliubes da capital, do que está a falar...

06 junho 2007

A insustentável leveza do futebol português

«Clubes ou empresários: Quem controla, afinal, os timings dos grandes negócios? Não tenham ilusões. O status de poderes está bem enraizado e os clubes vivem reféns dele. Por incompetência ou estratégia.

Quarta-feira foi um dia triste para o futebol português. Não consigo descobrir, seja com a razão ou a emoção, outra definição para a notícia que nos surgiu no crepúsculo da tarde. Dois dos maiores craques do nosso campeonato, daqueles que nos fazem vibrar, nas bancadas ou no sofá de casa, soltando ahs! e ohs! de espanto com as suas maravilhas em campo, deixaram Portugal. Anderson e Nani.

Elogiam o encaixe financeiro dos clubes, mas essa necessidade é, sobretudo, consequência de péssimas gestões anteriores que obrigam a essas vendas, do que de decisões estruturadas no tempo, visto tal ser, como se sabe e não faltam exemplos, um processo recorrente. O grande negócio foi, esse sim, para o Manchester United e para aqueles que hoje detêm, o poder absoluto no mundo do futebol, os empresários. Para estes, não interesse um mercado parado. Ele, e as respectivas contas bancárias, tem de mexer todos os anos. Para os jogadores, a alucinação de muito dinheiro e um sonho de super-futebol quando ainda jogavam com a casca de ovo na cabeça.

Os nossos clubes são hoje meros pontos de passagem, apeadeiros numa carreira, para esses jogadores. Anderson, 19 anos, fez apenas 9 jogos a titular no FC Porto (meio ano na equipa B, outra metade lesionado). Aos 20 anos, só na fase final da época, Nani, depois de passar por uma crise existencial futebolística, estabilizara no onze principal do Sporting.

É decisivo para o futebol português (dimensão competitiva internacional dos nossos clubes e campeonato, cativação de adeptos, etc) criar condições para os aguentar nos nossos relvados mais algum tempo. Mais um ano que seja. Vão, no entanto, para o clube ideal para crescer. Sobretudo Nani. Com o saber de Carlos Queiroz. Quanto a Anderson, Old Trafford não demorará a fazer outro cântico de êxtase à sua magia.

É impossível, naturalmente, competir com os colossos ingleses, espanhóis e até italianos ou alemães. O canto da sereia de 30 milhões de Euros esmaga qualquer debate, mas é possível, no entanto, competir, com as devidas proporções, em termos de boa gestão, rigorosa e realista (entenda-se comprar bem e vender bem, condicionar despesas ás receitas). Tudo aquilo que, evidentemente, os nossos clubes não fazem. E, depois, ficam felizes com estes encaixes financeiros que, servem, fundamentalmente, para atenuar passivos e, depois, comprar, no mesmo mundo subterrâneo, outro saco de jogadores de valor, digamos, questionável. E fui, agora, muito comedido neste adjectivo escolhido.

Esqueçam a ideia que esse dinheiro vai dinamizar o mercado entre clubes da chamada segunda linha desportiva-financeira. Não existe prospecção séria, nem interesses transversais, que garanta esse destino. Serão, novamente, os empresários a ir ter com os clubes com portfolios de pretensos craques, do que os clubes a ir em busca dos jogadores.

O status de poderes está bem enraizado em todos os quadrantes e os clubes vivem reféns dele. Voluntariamente. Por incompetência ou estratégia. Até pode parecer, mas, na verdade, não são eles que determinam quando e como vendem, mas sim os poderes (empresários e grupos financeiros) que os rodeiam. São estes quem controlam os timings dos negócios das grandes transferências. É a insustentável leveza do futebol português.»

Luís Freitas Lobo in Planeta Futebol

05 junho 2007

Mercado de transferências: Certezas e rumores

S A Í D A S

Anderson > Manchester United

Pepe > Juventus = 30M

Bosingwa > Middlesbrough ou Tottenham

Quaresma > Atletico Madrid = 18M + Diego (Ex-S.C. Braga) ou Inter Milão

Lucho > Inter Milão

Nuno Coelho
Vieirinha
Cláudio Pitbull
Ezequias
> Leixões (empréstimo)

Areias
Diogo Valente
> V. Guimarães (empréstimo)

Paulo Machado
Helder Barbosa
> Nacional (empréstimo)

Dispensáveis:
Alan
Bruno Moraes
Ibson
Lucas Mareque
Paulo Assunção
Paulo Ribeiro

E N T R A D A S

Fernando (Vila Nova F.C.) – Médio de Transição

Nuno Espírito Santo (D. Aves) – Guarda-Redes

Lino (Académica) – Defesa Esquerdo

Kazmierczak (Boavista) - Médio

Simon Vukcevic (F.C. Saturn / Rússia)

Manoel Morais (Vasco da Gama) – Médio Atacante

Carlos Eduardo (Grémio de Porto Alegre) – Médio Atacante

Andres Madrid (S.C. Braga) – Médio Transição

Mariano Gonzalez (Inter Milão) - Médio

Envolvidos no negócio de Anderson, todos estes jogadores estão na lista de dispensas do Manchester United e podem ser hipótese:

Fangzhuo Dong
Gabriel Heinze
Gerard Pique
Giuseppe Rossi
Ji Sung Park
Richardson

04 junho 2007

Jesualdo Ferreira

Ser campeão
A verdade é que as condições que encontrei no FC Porto e a felicidade que tive após últimos anos bons criaram essa possibilidade. Quase que direi que me vi obrigado a ser campeão. No Benfica não estavam criadas boas condições para poder ganhar. Nos últimos anos, o Benfica ap
enas ganhou uma vez o campeonato e passaram por lá bons treinadores. Fiz o que pude mas foi no FC Porto que encontrei as condições para ser campeão.

Não senti da parte de ninguém que o FC Porto não seria campeão. Sabíamos que o jogo com o Aves tinha corrido relativamente bem na 1.ª parte. Sentíamos alguma ansiedade que foi controlada com o golo, o golo do Aves não me pareceu que tenha perturbado a equipa. Foi apenas pedido ao intervalo, de grande intensidade, que jogassem bem e que confiassem nas suas capacidades.

Heranças
Todos sabem que a minha entrada no FC Porto não foi normal porque entrar a 4 dias do primeiro jogo no campeonato não é norm
al. Não é normal ter que ganhar sempre, no FC Porto é. Não é normal também a forma como a ruptura aconteceu entre o treinador e os jogadores. Encontrei um clima que não era de todo favorável. Entrei e em pouco tempo fiz um curso acelerado para conhecer tudo – não é fácil, a de ter que ganhar sempre. Ganhar não é fácil.

Herdei uma equipa que era do FC Porto, não era do senhor Adriaanse, seguramente com jogadores que terão sido escolha do senhor Adriaanse. 70% dos jogadores não são jogadores que tenham sido escolhidos pelo treinador, é uma situação normal. Vamos ser acima de tudo sérios na forma como abordamos as coisas. O que eu encontrei foi uma equipa campeã, que tinha feito um trajecto bom no ano anterior, uma equipa que tinha um modelo assegurado pelo seu.

Não é normal uma equipa fazer tantos jogos com 2 derrotas (Arsenal e Braga) num contexto de 20 jogos, 14 mais 6 jogos. Perdemos duas vezes em que os jogadores tiveram 4/6 semanas de trabalho em conjunto. Foram jogadores que foram capazes de apanhar com alguma facilidade o que se pretendia. O senhor Adriaanse fez um bom campeonato, ganhou a taça e fez uma má Champions. Era um treinador extremamente rigoroso e havia uma equipa de ataque, tudo o que fosse contrário a isto seria por baixo. A primeira volta foi melhor que a primeira volta do senhor Adriaanse, o sistema foi sempre posto em comparação, a verdade é que chegamos ao fim e marcamos mais golos que no tempo do senhor Adriaanse. O que foi mais importante foi termos passado a fase de grupos e discutir com o Chelsea até 10 minutos do fim passagem aos quartos-de-final. O FC Porto foi campeão, passou aos oitavos e num quadro de 2 anos foi duas vezes campeão, ganhou uma taça e foi aos oitavos de final da Champions, isso é que foi importante.

Férias de Natal
As férias que os jogadores tiveram foram menores que no ano anterior (tempo em que estiveram sem treinar). A diferença que existiu é que o calendário foi diferente. Par
a o FC Porto, até nos era favorável. Tínhamos um jogo com o Atlético que era o primeiro pós recomeço. O FC porto tinha jogo no dia 7, tinha o Aves a 14, voltava a ter taça, e este enquadramento, com 2 jogos em casa, seguia-se sequência até à Champions, a lógica estava correcta, o que não estava no programa era sermos eliminados pelo Atlético e a partir daí perdemos percurso. E nesse período Pepe, Lucho e Bruno Alves apresentaram algumas dificuldades e não participaram na Taça. Não ganhamos ao Atlético porque fomos incompetentes. O FC Porto não perdeu um jogo, perdeu uma competição que queríamos ganhar e retirou-nos a sequência normal de preparação que a equipa teria que ter.

Arbitragens
A arbitragem de Leiria retirou-nos a possibilidade de ganhar aquele jogo, dificilmente as outras equipas poderiam chegar a nós. Há uma análise de um assistente que já tinha alguma coisa com o próprio Quaresma no passado e aconteceu um golo em cima do mesmo assistente onde não existiu qualquer falta (falta idêntica à do Fucile sobre o Simão que deu origem ao golo do Benfica, as tais faltas impensáveis). O que aconteceu em Leiria e na Luz, as únicas vezes que falei de arbitragem, é que não falei porque tivesse de justificar nada. Para investigar não é necessário que sejam dados recados de ninguém, tem a ver com a forma como o jogo foi apitado. Deviam ver aquele jogo, deviam investigar bem. De facto, durante muito tempo, e nós fomos aguentando… e quero recordar que na Luz, que era o jogo decisivo na perspectiva da comunicação social, o FC Porto levou com um amarelo aos 2 minutos Bruno Alves e o Simão aos 4 não foi punido. É muito fácil chegar ao jogo com o Sporting e dizer que o FC Porto perdeu porque o treinador foi incompetente. Limitei-me a fazer uma observação. No fim do jogo com o Benfica não falei de arbitragem, só disse que o golo do Benfica foi fora-de-jogo.

Adversários e a época
O Benfica e o Sporting acabaram 1.ª volta a 8 e 7 pontos do FC Porto, seis jornadas depois o Sporting chegou aqui com 9, ou seja, mesmo com o mau trabalho do FC Porto, o
Sporting conseguiu fazer pior. E depois disso vocês, imprensa, criaram um novo campeonato, branquearam claramente a primeira volta do Benfica e as 22 jornadas do Sporting. Se formos observar com todo o rigor, o Benfica fez melhor campeonato do que o Sporting. Durante o tempo em que estivemos em primeiro lugar, era uma fatalidade o FC Porto ir à frente e os outros estarem tão distantes. O FC Porto na 2.ª volta foi colocado em níveis baixíssimos e o gáudio geral era ver o Chelsea esmagar o FC porto, foi uma coisa inacreditável a que pude assistir em termos de imprensa. A realidade foi que nós, FC Porto, tivemos alguns problemas decorrentes do que é o trajecto normal de uma equipa de futebol, tivemos algumas lesões de jogadores importantes que causaram problemas de táctica, e o FC Porto resistiu a tudo isto e a uma imprensa hostil durante todo o campeonato. Quando fomos à luz, a um ponto do Benfica, estava claro que o Benfica seria campeão e ganharia o jogo e de repente nós empatamos e ficamos a 1 pontos do Benfica e 4 do Sporting e a imprensa disse, pronto, o FC Porto é campeão. É um processo digamos de lavagem cerebral, era tão perceptível… Parece que o campeonato só teve 7 jornadas.

O colo do FC Porto
O que sinto é quem leva ao colo o FC Porto são os seus adeptos, é a sua organização. O colo do FC Porto é a sua própria estrutura, são os seus adeptos. Esse é o colo. O exterior não tem colo para o FC Porto.

Baía
O Vítor Baía estava numa situação que não é fácil, quem não tem alguns anos de balneário talvez não possa verificar na sua amplitude o que é ter um jogador como ele no banco e o que é que esse jogador sente naquela posição. Por essas razões é que entendi na chegada ao FC Porto que havia uma equipa que tinha um balneário com 4 capitães e entendi que não tinha de mexer em nada, apenas o Lucho com 1 ano de Porto participava, os outros não… Não é uma situação normal. O que o Vítor Baía fez foi o papel de jogador e capitão de equipa e isso ele assumiu, durante muito tempo de uma forma que fazia parte da estratégia de envolver o FCPorto em situações menos correctas, de amolecimento, de intrigas, de boca, daquilo que é normal fazermos em Portugal. Falou-se que era adjunto, depois principal, depois ele é que mandava. A mim não me tocou minimamente, ele sabia que aquilo não era verdade, todo o plantel também. O Vítor Baía tinha o seu papel, e bem, era um jogador que treinava, e bem, e que tinha as atribuições de capitão que tinha naturalmente e que eu reforcei ainda mais porque entendi que era um jogador importante. O Vítor Baía marcou uma época no FC Porto, foi importante durante muito tempo enquanto jogador e este ano era jogador que não jogava mas foi sempre de uma postura irrepreensível, direi mesmo que dificilmente encontraria um jogador capaz de enfrentar assim uma situação destas.

Imprensa
O FC Porto foi hostilizado pela imprensa e pelas empresas que gerem a comunicação social. Revelaram a determinado momento um gáudio muito grande que me enojou. O que se pretendeu dizer foi que o FC Porto ficou sem liderança. Não é verdade. Falei o que falaria se houvesse mais alguém a falar. O que estavam habituados era que houvesse outras vozes.

Apito Dourado
O apito dourado não mexeu com a liderança, é que o FC Porto foi campeão mesmo sem apitos dourados. É estranho entregar o apito dourado ao Norte e ao FC Porto, mais ninguém está envolvido? A conotação com o FC Porto e o Boavista é uma forma de alterar o circuito. É essa a estratégia e deixaram a equipa entregue ao treinador e às suas competências e aos jogadores, portanto, o apito dourado não teve consequências e o FC Porto foi campeão e isto custa até para o próprio processo. O FC Porto ganhou o campeonato em pleno julgamento do apito dourado, o que deu um gozo muito grande ao presidente. Custa o FC porto ganhar, entendo agora porque é que custa. Era perceptível quando estava fora porque ganhava o FC Porto e não era por causa do apito dourado, era porque era melhor.
Extractos da entrevista de Jesualdo Ferreira à SIC Notícias na passada terça-feira

Acham que Jesualdo Ferreira deve continuar como treinador do FCPorto?
Num claro sinal de que as coisas já não funcionam como dantes, temos tido ecos na imprensa nos últimos dias de vários jogadores que parecem incompatibilizados com o Jesualdo Ferreira. Já a meio da época Bosingwa arranjara problemas. Bruno Moraes e Ibson tiveram palavras, digamos, menos abonatórias para com o professor. Soube-se também que Paulo Assunção no intervalo do jogo de Paços de Ferreira criou problemas e o último foi Postiga que depois de um dos melhores jogos que o vi fazer, talvez no último ano, e depois marcar ao serviço da selecção disparou que
«A confiança estava lá e quando o treinador nos dá confiança é mais fácil marcar. No F.C. Porto não marcava porque o mister decidiu deixar-me no banco. É impossível marcar golos no banco».

Pinto da Costa, no Jogo dos Campeões e em entrevista ao Porto Canal, disse: «Nem sequer nos damos trabalho de responder às pessoas que afirmam que Jesualdo vai sair. Esses factos servem para nos unir mais.». Será então certo que o professor deverá ficar no FCPorto. Mas como sei que a opinião sobre o assunto não é consensual entre os portistas por diversas razões, fica então a pergunta para sabermos a Opinião da Bancada:

Jesualdo Ferreira deve continuar como treinador do FCPorto?
Sim
Não

PS: A votação para eleger o jogador mais importante da época terminou com uma vitória algo expressiva de Ricardo Quaresma que conseguiu 60 de um total de 228 votos. Baía e Adriano seguiram-se com 41 e 40 votos respectivamente, já mais distante ressalvem-se os 29 votos atribuídos a Pepe. Anderson, que tanto tem dado que falar, teve apenas 2 votos. Curioso, não?! Para ver o quadro completo da votação cliquem aqui.

02 junho 2007

Irrecusável?

Porto D'Abrigo

"Os portistas estão chocados com a venda de Anderson que, apesar da lesão que o afastou por longos meses, era a coqueluche do Dragão. Fui apanhado de surpresa e, confesso, quando defendi que o FC Porto poderia negociar Lucho e Pepe mas não devia vender Quaresma porque este tinha margem de progressão, nunca me passou pela cabeça que se pudesse vender o pequeno prodígio. Nós, os adeptos, gostávamos do menino, dos seus gestos e simpatia, mas acima de tudo percebíamos que ele era a maior promessa no plantel do FC Porto. Agora, está de partida para outras paragens, e bem pode Pinto da Costa vir dizer que ele agora vai poder jogar num campeonato melhor, que lá há menos violência e tudo o mais... Desculpas que não convencem a massa associativa e que não conseguem fazer esconder a triste realidade de um clube que nos últimos anos tem vindo a gastar rios de dinheiro em fraquíssimas e incompreensíveis contratações e que assim se vê forçado, para pagar uma parte das suas dívidas, a vender o jogador que maior margem de progressão prometia.

Pinto da Costa disse que o negócio era irrecusável. Percebe-se pelas contas mais recentes que não havia outra solução. Os 40 milhões de euros de activos líquidos da SAD não chegam para as dívidas de curto prazo de 72 milhões de euros. Por isso, não podia recusar um negócio que lhe garante um encaixe de 24 milhões de euros. O que se lamenta, contudo, e eu tenho alertado para essa situação, são os sucessivos erros de gestão que têm arrastado o clube para esta aflição. A SAD andou a comprar anéis inúteis, e agora tem de vender os dedos.

Dirão alguns que, apesar de tudo, se realizou uma excelente mais valia e que Anderson até poderia não vir a corresponder às promessas. É tudo verdade, mas esperava-se que com a aposta nos jovens e na formação, a SAD pudesse sobreviver com as mais valias dos jogadores feitos e não tivesse que saldar o seu futuro.

Veremos nas próximas semanas qual será o próximo activo a ser sacrificado. O que é certo é que as novas contratações anunciadas não prometem nada de bom. A aquisição de Lino (já deve ser mania, esta de comprar defesas-esquerdos...) é um mau sintoma. Com trinta anos de idade, não sei se o jogador será útil. O que tenho a certeza é que não será nunca um activo transaccionável. Tudo isto coloca a questão da sustentabilidade que como já se percebeu, está posta em causa e vai condicionar também os resultados desportivos, se não houver uma mudança de rumo."
Rui Moreira in Record

Em complemento a este artigo, já ontem o Dr. Rui Moreira deu-nos o prazer da sua participação no Portistas de Bancada, que agradeço desde já, e escreveu o seguinte comentário.

"O Presidente tem razão ao dizer que se tratou de uma proposta irrecusável. O que deveremos avaliar é se tratou de uma proposta irrecusável dadas as condições de mercado (ou seja porque se tratou de um valor muito acima do mercado) ou dadas as condições económicas e financeiras da SAD (ou seja um montante indispensável para a SAD).

Creio que o jogador era um dos activos do clube que ainda se poderia valorizar, e por isso, a irrecusabilidade da proposta deve ser avaliada à luz da segunda hipótese. Ou seja, a SAD não poderia, em caso algum, recusar 25 milhões de euros sensivelmente, que é o fluxo de tesouraria que o negócio proporciona.

As contas são de uma simplicidade que não deixa dúvidas: de acordo com o mais recente relatório que é público, a SAD tinha activos correntes que eram insuficientes para fazer face às dívidas de curto prazo: um buraco de 28milhoes de euros. É por isso que não pode recusar uma proposta destas, tanto mais que já se percebeu que as negociações para a venda de Pepe não são tão fáceis como pareciam, não apareceu comprador para Lucho e Quaresma não parece muito interessado em sair. Os outros jogadores têm um valor marginal que não afecta significativamente a tesouraria.

Ou seja, tratou-se de uma venda de recurso. O que é aceitável à luz dos condicionamentos económicos e financeiros da SAD. Tratou-se de liquefazer um activo, cuja eventual valorização é sempre incerta.

Infelizmente, e isso eu tenho vindo a alertar ao longo dos últimos meses, se a SAD estivesse bem gerida e tivessem sido tomadas medidas a tempo, não estaríamos nesta situação de aperto. Bastaria que não se tivessem comprado jogadores de qualidade muito duvidosa, para além de outras medidas óbvias de saneamento económico e financeiro que já referi anteriormente e que me dispenso, agora, de repetir.

O que está, afinal, em jogo, é a tal maratona da sustentabilidade, e o FC Porto está a ganhar no presente mas a perder o futuro. As compras de Nuno Espírito Santo e Lino (activos que nunca se valorizarão dada a sua idade) e a anunciada dispensa de Vieirinha e de Barbosa (dois produtos da casa que se poderão valorizar) é um péssimo sintoma do que se passa no FC Porto. Nada que me surpreenda, mas surpreende o adepto mais presentista, aquele que sobrevaloriza as vitórias do presente mesmo que para as conseguir tenhamos que utilizar os recursos de amanhã.

Em resumo:
Se Anderson fosse vendido porque a proposta era considerada (por quem sabe mais do que nós) como muito acima do mercado e o dinheiro da sua venda estivesse disponível para comprar jogadores jovens e promissores e para rescindir contratos com jogadores caros que temos espalhados pelas 7 partidas do mundo (leandros e sonkayas) tudo estaria bem. Assim, é uma solução de recurso, um "airbag" para o primeiro embate, de muitos que vêm aí, com a dura realidade...

abraço a todos do Rui Moreira"