25 abril 2008

The Dark Side of the Force 2/2

De facto, aqueles que têm a responsabilidade de educar têm um papel importantíssimo na sociedade. Devem passar os valores da justiça e imparcialidade. Numa sociedade de pais ausentes e putos histéricos de telemóvel em riste nas salas de aula, as cadeias de televisão assumem um papel importantíssimo na educação da população mais "desacompanhada".

Quem não se recorda desse célebre documentário Anti-Dark Side, contra a figura do Presidente Pinto da Costa quando a sua posição já estava fragilizada no domínio da “justiça do povo”. Foi feita pela RTP. Foi montada ao longo do programa uma imagem de Vilão que perdurasse na memória de todos. Foram mesmo envolvidos portistas a quem não foi certamente explicado por inteiro como seriam utilizadas as suas declarações.

Por estas razões, as da seriedade e profissionalismo, ou outras tão ou mais importantes, em qualquer sociedade ocidental existem códigos deontológicos para as diversas profissões que se assumem como decisivas no normal funcionamento dos regimes democráticos. É assim na engenharia, na medicina, na magistratura, no jornalismo, etc., etc.

Dito isto, e não sendo Portugal um pais de budistas, não precisamos de lutar contra os nossos sentimentos. No entanto não me parece, que tenhamos que ser parciais na nossa análise e que façamos figuras ridículas em directo, seja na rádio, na televisão, ou a escrever em jornais que controlamos, resolvendo esquecer ética e códigos deontológicos que foram feitos para ser utilizados. Não entendo por onde anda o código deontológico dos jornalistas portugueses. Por sinal vieram de outra geração de "desacompanhados", a quem não foi ensinado o valor da verdade e da isenção. Os Manhosos proliferam.

Desde o director do Publico, a defender a guerra no Iraque, mesmo depois de Barroso e Aznar (e o próprio cowboy) se terem penitenciado, o "senhor Publico" não dá o braço a torcer. Não têm capacidade jornalística para fazer mea culpa. Quem escreve em publico deve fazer "mea culpa". Mas não faz. E o Orelhas desse filme, um tal de Bush continua, mesmo depois de se contradizer, a ter razão. E é assim que Manhosos e companhias passam décadas à frente de instituições de "alta tiragem". Nem precisam de escrever a verdade quanto mais fazer mea culpa. O Porto tem armas de destruição maciça e é necessário aniquilar essa raça suicida.

Lá se vai o código deontológico e a ética profissional de alguns e a imparcialidade de outros.

Os outros são aqueles que nem são jornalistas, mas fazem papel de comentadores entendidos nas matérias de facto. A sua legião de "desacompanhados" bebe a versão Anti-Porto forever, os mauzões do norte, os reis da corrupção. Dart Vader deve ser destruído e os Iluminados precisam do apoio de todos para salvar a Galáxia. Em frente ignorantes!

É nesta realidade que vivemos e com ela convivemos no dia a dia. Nas ruas quando passamos pelas bancas dos jornais, nos transportes públicos quando alguém consegue atirar um olhar discreto para as noticias do "outro" e, como se não bastasse, quando chegamos a casa vemos que afinal, até já nos invadiram dentro de quatro paredes.

O Matrix anda por todo lado e a lavagem cerebral esta em curso há muitos anos. A única arma do FCPorto em toda esta cabala são as suas actuações irrepreensíveis e de superior categoria no terreno de jogo.

Bem sabemos, existem acordos entre todas as televisões e os clubes para as transmissões dos jogos. Todas as emissoras têm acordos com a Sporttv e até participação no seu capital. A grande questão em termos de televisão já nem é quem comenta ou como se comenta. Têm de comentar a favor da Luz, contra o lado negro, porque os Iluminados vivem carentes. Desligamos o som e bola para a frente.

A grande questão é o número de jogos transmitidos em canal aberto. A forma de lavagem cerebral tipo regime salazarista tem agora outros contornos. Mais dissimulados.

A verdade é insofismável: só quem se dispõe a pagar é que vê jogos do Porto!

Vamos então a números:

Até à jornada 20, estes foram os números das transmissões em canal aberto de FC Porto, Benfica e Sporting, incluindo todas as competições (nacionais e internacionais):

Benfica - 17 (RTP-4, TVI-10, SIC-3);

Sporting- 14 (RTP-7, TVI-6, SIC-1).

FCPorto - 7 (RTP-3, TVI-5).

Jogos do FCPorto transmitidos em canal aberto: 5 para o campeonato nacional (incluindo jogos com Sporting, Braga, Guimarães, Paços de Ferreira e Boavista) e 2 para a Liga dos Campeões (Besiktas e Marselha, ambos em casa).

Nos jogos fora, praticamente não há transmissões em canal aberto dos jogos do Porto!

Estes números já são demasiado vergonhosos, mas há mais:

Quem não se lembra das célebres meias-finais da Taça UEFA em 2003? Qual transmissão televisiva qual quê! O importante é o torneio do Guadiana e a taça amizade!

E sabiam que há formas de ver a RTP através da Internet? Sobre isto tenho uma história interessante. Um amigo disse-me há 2 ou 3 meses que, de quando em quando, os jogos do Sporting e Benfica davam na Internet em canal aberto, nomeadamente na RTP Internacional. Ao invés, os jogos do Porto eram substituídos por "clips" de José Malhoa e afins.

Para tirar a prova dos nove, no dia do Leixões-Porto, lá estava eu com computador e televisão ligados em simultâneo. Para meu espanto vejo no computador as equipas a entrar para o relvado. Nesse preciso momento o ecrã foi invadido por cantores pimba, bem ao estilo RTP Internacional, enquanto na televisão todos corriam campo a fora.

Há duas semanas, a RTP Internacional resolveu transmitir o Naval-Sporting. Qual cantor pimba? De pimba o que se viu durante quase duas horas foi apenas o penteado do Miguel Veloso. Jogo transmitido, na integra, com sinal aberto na Internet, ao estilo Selecção Nacional.

Leixões-Porto: Transmissão interrompida.

Naval-Sporting: Jogo transmitido na totalidade.

Conclusão: há Portugueses mais Portugueses que outros.

Não quero com isto dizer que acho a RTP tão facciosa como TVI e SIC. No entanto imparcialidade é coisa que a RTP também não demonstra. Mas já tivemos que aturar o Gabriel Alves e o Miguel ‘parece-me claramente que a bola entrou” Prates tantos anos, agora é normal que trabalhem de forma mais imparcial do que outras estações. Mas como está a vista de todos, o que têm feito não é suficiente.

A propaganda Anti-Porto, segue nas televisões, nas rádios e nos jornais, mas não nos derrota. E nós, Portistas, não podemos pedir isenção a maus profissionais como os que dirigem determinados jornais desportivos, ou encabeçam as realizações televisivas dos jogos de futebol (com as suas linhas de fora de jogo na diagonal), se, nem a televisão pertencente ao estado consegue ser imparcial, ou pelo menos, mais justa no tratamento dos tempos de antena e do numero de transmissões dos jogos das equipas ditas grandes em Portugal.

Deve ser por todas estas razoes que na RTP Internacional, quando há jogos em simultâneo, o "regente" decide que um jogo entre o na altura quinto classificado e uma equipa que luta pela manutenção, tem prioridade, sobre um jogo entre o actual campeão e líder do campeonato, o Porto, e umas das melhores equipas da prova, o Belenenses, que esta muito bem classificado.

Não respondam com as célebres estórias de "o calendário das transmissões há muito estava decidido". Esse calendário é constantemente modificado se algum dos de Lisboa estiver necessitado.

Rádio Renascença, relato do Benfica-Paços de Ferreira: Léo centra. A bola bate no braço do jogador Pacence.

Diz um qualquer iluminado: "A bola foi ao braço do jogador, mas se o braço não está junto ao corpo é penaltie". Desculpe? Como???

SIC, Monologo Mini-Brilhantina. Diz mais ou menos assim o gelatinoso: "há ali um ligeiro movimento com o braço que fere o lance de ilegalidade". De facto que este senhor percebe zero de bola e de ordenados de Presidentes já todos sabemos. Ficamos agora a saber que os movimentos em câmara lenta devem ser vistos e interpretados como se de movimentos à velocidade normal se tratassem e que a partir de agora toda a gente vai começar a correr com os braços colados ao corpo. Veremos na próximas semanas os jogadores de braços colados ao corpo aquando da marcação de todos os cantos. Vai ser um fartote. O karateca no seu melhor.

E assim vai este Portugal. Com gente a espumar sempre que o Porto vence mais uma batalha, mais uma guerra.

Uma legião de invejosos, desacompanhados à espera do milagre que as mentiras construíram. Nem que para isso tenham de pagar do seu bolso, processos judiciais que dariam para pagar muitas reformas de que a Galáxia anda necessitada.

“Rebentou a bomba”! As notas voam dos bolsos dos contribuintes que pagam toda a propaganda jornalística e judicial Anti-Porto! Com tal rebentamento, um rato acordou e veio a correr montanha abaixo. Os subservientes do regime choram de tristeza. Tanto dinheiro e apenas mentiras para os entreter. Mentiras e um rato.

Como costumo dizer aos meus amigos: come, come to the Dark Side of the Force. Vais ver que serás mais justo e mais feliz, menos rancoroso, mais alegre e jovial, mais apaixonado pela vida.

E como gostariam eles de pertencer ao lado Azul e Branco, especialmente durante estas semanas, quando nos vêm a festejar mais um título. Mas como sabem não é Portista quem quer, apenas quem pode.

A Galaxia, os Iluminados, os Andróides, os Kalimeros, os Brilhantinas, os Orelhas, os Manhosos, os Desacompanhados, todos a espumarem ao olharem para os nossos sorrisos de CAMPEÕES.

Contra tudo e contra todos!

"O nosso destino é ganhar"!

Siga o filme rumo à dobradinha!

Soren

31 comentários:

  1. http://www.lpfp.pt/bwin_Liga/Pages/MVP_resultados.aspx

    Vamos lá votar contra estes índios!

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  2. Obrigado Soren por dois grandes comentários!

    Deixo já aki também o meu grande abraço a todos os que compôem este blog espetacular é o meu cantinho de Porto no hospital de Santa Maria inpregnado de kalimeros e orelhas! Obrigado por tudo Pooooooooorto Sempre!

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  3. Nao tive tempo de ler o comentario todo mas quanto as transmissoes em canal aberto, pode simplesmente querer dizer que nao ha gente suficiente que esteja disposta a pagar para ver o Sporting ou o Benfica.
    Isto tambem se reflete nas transmissoes da RTP via internet. Eu ja tentei ver jogos da seleccao e do Porto na internet e a transmissao e sempre substituida por qualquer outro programa incluindo aquele coro a cantar musica pimba. No entanto ja consegui ver jogos da seleccao sub-21 e outras seleccoes menores.
    A razao que me foi apresentada e que quando um canal de televisao de outro pais compra os direitos de transmissao de um jogo a RTP nao o pode mostrar na interner, por isso bloqueia a transmissao para todo o lado.
    Ou seja, isso mostra mais uma vez que ha pessoas dispostas a pagar para ver o Porto.
    O que so pode ser bom para o Porto se souber negociar.

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  4. no site do porto:

    Comunicado do presidente da F.C. Porto – Futebol, SAD

    O presidente do Conselho de Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD, Jorge Nuno Pinto da Costa, emitiu esta quinta-feira, o seguinte comunicado:

    COMUNICADO

    Hoje de manhã, a Imobiliária de Cedofeita, da qual Jorge Nuno Pinto da Costa é accionista maioritário e administrador único, foi objecto de buscas.

    Face a informações recentemente difundidas em alguma comunicação social, Jorge Nuno Pinto da Costa congratula-se pela realização desta diligência, uma vez que o resultado desta vai contribuir, de forma decisiva e definitivamente, para dissipar toda e qualquer dúvida relacionada com a actividade da sociedade.

    Porto, 24 de Abril de 2008

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  5. Não é só nas transmissóes televisivas.

    Nas rádios é ainda mais escandaloso.
    Há umas semanas atrás, estava a vir de Coimbra para o Porto de carro, precisamente na hora em que começava o FC Porto - Académica no Dragão. Escolho uma emissora qualquer de entre as 7 ou 8 que estavam a começar o relato do Dragão. Tudo muito bem nos primeiros 15 minutos, altura em que o comentador refere que vai começar a segunda parte no estádio da luz e que, por isso, iriam transferir a emissão para lá. Achei compreensível. Poderia ser um jogo excitante, dada a valia equiparável entre as duas equipas (o benfica jogava com o último - o Leiria - e o resultado de 2-2 viria a provar isso mesmo). Por ingenuidade minha, tentei mudar de emissora para continuar a ouvir o Porto mas NENHUMA(!) continuou a transmissão do Dragão. Dei voltas e voltas ao sintonizador, sempre a ouvir os habituais "Nuno Gomes falha" ou "Cardozo não consegue dominar" até que finalmente, e porque, por acaso, o Porto jogava com uma equipa de Coimbra, lá consegui encontrar uma emissora local bastante manhosa e ligada à Académica que estava a passar o jogo. Mas fosse contra qualquer outra equipa e já seria completamente impossível saber do Porto...

    E é assim o nosso país.
    É mesmo como tu dizes - não é Portista quem quer, apenas quem pode.

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  6. Jorge,
    O jogo da selecçao nacional contra a Finlandia deu com sinal em aberto porque era no interesse "nacional", enquanto o jogo em casa com a Polonia por exemplo nao deu.

    Isto é so para provar que os critérios nao sao uniformes e quem tem o poder de decisao decide como bem lhe apetece. Mais ou menos como os codigos deontologicos esquecidos noutras situaçoes.

    Com a actual situaçao, é evidente que o Porto tem que ter uma politica diferente para tirar o maior dividendo possivel das transmissoes televisivas. Se à partida esta estipulado que o clube A tem mais transmissoes agendadas em canal aberto entao o clube B tem que procurar outra estratégia.
    Qual é a justificaçao para a nao transmissao da meia final da taça UEFA em 2003? Teria menos share do que o torneio do Guadiana? Ou seria o jogo que, até à data teria mais share, mas ninguém o queria dizer (como o caso do Porto-Shalke)? E sera que as televisoes se terao dignado a querer pagar o que deviam ao FCPorto pela transmissao desses jogos?
    Alguém imagina, no sec. XXI, uma meia-final Europeia em que o Benfica ou o Sporting estejam presentes, nao televisionada em canal aberto?
    Eu nao.

    E sera que nao existe uma avaliaçao errada do share e dos ganhos com publicidade que advem das transmissoes de determinados jogos? Basta ver como o Record e a Bola fazem jornalismo e reparar que apesar das vendas cairem a pique nao alteram a estratégia doentia Anti-Porto.

    A propria escolha dos lances para debate nos programas (ditos) desportivos é tendenciosa.
    No ultimo Trio de Ataque, em que o Rui Moreira teve de lutar contra 3 anti-Portistas primarios, que insistiam em interromper quando a conversa nao agradava, so mostraram o ultimo lance do Binya, mas "esqueceram-se do primeiro lance, na primeira parte, que justificava vermelho directo e nao amarelo! Ninguém fala disso!
    Em vez disso, o "jornalista-Anti-Porto-de-serviço", resolveu ler uma qualquer barbaridade escrita por uma galinha qualquer, em que se defendia a expulsao do Lisandro apos os festejos do primeiro golo.

    Qual é o critério para transmissoes em canal aberto? O critério fascizoide, evidente.
    O mesmo se passa nas radios.

    Lembram-se do unico comentador que sabia comentar futebol em Portugal? Era demasiado sincero e honesto e por isso foi corrido das televisoes. Alguém se lembra do nome dele? Eu dou uma pista: comentou com o Gabriel Alves o jogo na Luz para a final da Supertaça em que o Porto humilhou o Benfica com um contundente 0-5.

    Ao invés, gente doente como aquele ex-frangueiro do Belenenses, que disse que o Vitor Baia era apenas um guarda redes para a fotografia, ainda hoje(!) comenta a seu bel-prazer.

    E sobre a dualidade de critérios da RTP ficava aqui até amanha.

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  7. O soren tem uma maneira muito própria de ver as coisas, creio por viver fora do País (EUA?), e sente mais estas arbitrariedades.
    Daí todo o asco que deixa no seu comentário que na senda do anterior da Guerra das Estrelas tem muitos marrecos, matrecos e bonecos figurantes das arenas intergalácticas da série - mas, ó soren, isso é só para dar colorido ao programa, sem as manhas e os correios de interesses não tinha piada, pois não?
    Achei piada que já tomaste o jeito ao meu epíteto do Miguel "parece-me claramente que a bola entrou" Prates.
    Realmente, admito que quem não pode acompanhar mais de perto, ao vivo, os jogos do FC Porto sinta uma frustração ainda maior pelo que tem de ouvir e ler ou tvver. Deve ser de arreliar a paciência a um santo e o soren exprime bem toda a sua azia.
    Mas, amigo, também quem normalmente vê e conhece estas coisas de perto sabe como é. Mesmo que menosprezemos esta insatisfação permanente para com qualquer comentador encarn(t)ado, ela não deixa de nos minar.
    Mas a felicidade de ser do FC Porto é precisamente ter muitas, imensas, grandiosas vitórias para apagar esses momentos negativos extemporâneos.
    "Não entendo por onde anda o código deontológico dos jornalistas portugueses"?, perguntas.
    Não tem a ver com isso, mas com a massa de que cada um de nós é feito. Realmente, não é portista quem quer, só quem pode. Com a concentração de meios em grupos de comunicação social isto só piorou, para mais sediados em Lisboa, como quase tudo o que foi erguido no Norte e passível de transferir-se para junto do poder. Até no aeroporto querem mandar e aniquilar a sua capacidade de crescimento face a Alcochete. Mas há tantas e tantas coisas que nos querem tirar... só não tiram a dignidade, fruto da identidade de gente com poucos meios de se expressar, eles que fogem para a capital, gente com menos poder de compra que capta menos interesses dos produtores de conteúdos rádio-televisivos.
    Esta conversa levaria muito longe, das pontas perdidas da política, do Rui Rio que não reivindica nada para a cidade (olha o Pavilhão que podíamos ter e o Dragãozinho que vamos ter como propriedade do FC Porto quando uma obra maior serviria toda a cidade) e mandantes de baixa política fiel aos interesses partidários com o fito da colocação/fixação em Lisboa.
    Olha se o Ricardo Beziga foi lorpa e de advogado desconhecido e deputado acidental da AM não foi para vogal da administração da Refer, sediando-se na capital.
    O FC POrto, como a Sonae por exemplo, resiste ao centralismo, ao buraco negro da galáxia consumidora de recursos e centralizadora de meios que deixa o resto do País à míngua e, claro, na capital não se notam as dificuldades sentidas em 99% do território e em 69% dos cidadãos - porque 1/3 da populaça está na Grande Lisboa, representa votos, é preciso apascentar com empregos e obras, entreténs de vários espectáculos circenses, há que domar o povo, dar-lhe o que quer.
    Acima de tudo, e já que estamos em maré evocativa, esta Democracia falhou, o regime está podre e, como sempre disse, coloco muitas coisas acima dos interesses do futebol.
    Sei, porém, que é no futebol que o povo se expressa, por prolongamento dos seus clubes, de forma a que agora já pouco fado há, Fátima não é o que era e no futebol salva-se, dignamente, o FC Porto. Nesta medida, só a nós pode dar alegrias. Aos outros restam azias várias. A nós os lamentos de não podermos ser mais fortes fora do futebol.
    Um abraço de compreensão pela tua amargura.

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  8. Liga suspende votação do Melhor Jogador
    [ 2008/04/24 | 15:55 ] Redacção NT

    A Liga decidiu suspender a votação do prémio de Melhor Jogador da época 2007/08, devido a «motivos de segurança».

    O organismo explica ainda, através de uma nota no site oficial, que a votação será reaberta às 18 horas de segunda-feira, 28 de Abril, «após ter sido reforçado o sistema de segurança».

    Geromel, do Vitória de Guimarães, lidera(va) a corrida ao prémio, com um avanço significativo sobre Lisandro Lopez e Lucho. Ricardo Nascimento, do Trofense, tem sido o preferido dos votantes no que diz respeito à Liga Vitalis.

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  9. Ze Luis, deixa-me que te diga que ja sentia estas "coisas" antes de sair do pais. Mas concordo, provavelmente o meu sentido de justiça ficou ainda mais acicatado depois de sair de Portugal. E gosto de outros epitetos teus, nao é so o do Miguel Prates.

    O problema é que, eu extrapulo o que se passa no futebol, para o resto das actividades. E penso que nao o faço erradamente.
    O futebol é a apenas o espelho do que passa na economia com os PIBS lisboetas falseados, baseados em quantidades de populaçao e impostos pagos. Do centralismo a que foi ditado o investimento de infra-estruturas e oferta cultural em Portugal.
    Evidentemente, isto dava pano para mangas.

    E é evidente que, quando a massa nao é boa, nao ha codigo que resista ou exista.

    Provavelmente o Zé Luis, por estar dentro do meio ja nada lhe fara impressao. A mim faz-me muita, porque futebol e comunicaçao social juntos, ja sao duas actividades muito abrangentes. E se estao neste estado, como estara o resto? Todos sabemos. Sera que determinadas decisoes estratégicas de mudança nao deverao começar na comunicaçao social do estado? Mas quem tem coragem para o fazer?

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  10. "Provavelmente o Zé Luis, por estar dentro do meio ja nada lhe fara impressao".
    Enganas-te, meu amigo, só que já pouca coisa me surpreende.
    Olha, acabei de ver, o que é raríssimo, a "Grande Entrevista" de Judite de Sousa, jornalista que acho de qualidade discutível, a Rui Rio.
    É só retomar o que, de passagem, disse atrás de Rui Rio e eis o que é Portugal: meia dúzia de passarões, erguidos a poleiros altos pela inactividade das pessoas que só se deixam arrastar em "partidos" e "grupos", sem iniciativa própria, meia dúzia de passarões, dizia, a quererem insistir em mostrar o "caminho" a milhões.
    Faz-me lembrar, esta tanga do PSD, o Benfica: uma maioria que ainda se acha importante. O PSD, que Rui Rio ainda hoje acha importante para acentuar a bipolarização que só fez mal a Portugal (com a agravante de o PS ter ocupado o espaço político e as medidas económicas que se esperariam de um partido à Direita, retirando acção e manobra ao PSD), pensa que tem gente capaz de mandar e impor e dar uma imagem agradável para outros a seguirem. Miragens. É tal e qual o Benfica. Ilusões. Puro engano. O seu tempo passou. Finito.
    Rui Rio foi entrevistado não na qualidade de presidente da Câmara do Porto, mas por ser gente importante do PSD, um cargo qualquer relevante naquele espaço de "partido" que já não tem lugar. Ouvir falar em "partido", hoje, só faz sentido na disciplina ortodoxa partidária dos tempos supostamente revolucionários (ideiais, ilusórios, utópicos). Faz sentido, ainda, num PCP, até no monolítico BE, mas hoje faz-me impressão ouvir falar em "partido" como se tivéssemos de obedecer, seguir uma regra e eu sou contra regras assim, nunca fui filiado em partido algum.
    Pois o Rui Rio foi entrevistado para falar da amálgama dos restos mortais do PSD, aquela em que ele pensa que surgirá um líder que outros seguirão. Essa dos "notáveis" e "barões" também já não se enquadra com o tempo actual, moderno, livre de compromissos e muito menos de cegueiras ideológicas.
    Pois o Rio atreveu-se a dizer que as directas para a eleição do presidente do PSD não deviam ser assim, porque só uma casta de eleitos, como ele e os tais "barões" e "notáveis", acham saber poder escolher um líder com potencial para Primeiro-Ministro.
    Eu, só por isto, derrotava o palerma que o insinuasse e ele afirmou-o com todas as letras.
    Sobre a Câmara do Porto, a jornalista "porreira, pá", que por acaso teve de emigrar do Porto para Lisboa e dormir numas tantas conveniências até um poiso agradável num percurso comum a muito mulherio que arribou na capital da RTP, a jornalista só soube perguntar-lhe se já tinha saudado o FC Porto; ao que ele respondeu que com ele na Câmara o Porto ganhou tudo, como se uma coisa tivesse a ver com a outra.
    Rio, aliás, que não pode apontar um melhoramento na cidade, bem pelo contrário, está no seu segundo mandato e, com tanta coisa para reclamar para o Porto, mas nunca da boca dele, acabou de dizer que vem muito investimento para o Porto e "a recuperação do Mercado do Bolhão" é um tipo de investimento.
    Com gajos destes aqui, para que é preciso inimigos ou Luís Filipe Vieira?
    Pois é, a covnersa descamba para fora do futebol e aí só temos mesmo amarguras para contar.
    Os êxitos continuam, só, do FC Porto. A Baixa portuense está há muito de luto e não só pelo cinzentismo que arquitectos e paisagistas de nomeada lhe infligiram. Uma cidade cada vez mais triste, pobre, desalentada, sem liderança, apoucada no seu próprio meio. É do que precisa Lisboa para cavalgar mais a sua onda.
    Mais uma vez, felizmente, só existe o FC Porto. E a Sonae, já agora.

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  11. Mais uma para reflexão, soren, sendo necessária capacidade de abrangência face à conformidade com que saem (e em que meios) notícias:

    "O Governo decidiu não avançar com o despedimento colectivo na Função Pública. "No actual contexto da sociedade portuguesa, o despedimento colectivo não é uma prioridade", assegurou ao Correio da Manhã fonte do Governo. O que significa que o Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas (RC-TFP) não irá contemplar esta figura, contrariamente ao que tinha sido assumido pelo secretário de Estado João Figueiredo.


    O primeiro dia de discussão do RCTFP decorreu ontem entre o Governo e os sindicatos e ficou marcado por críticas de ambas as partes. O secretário de Estado da Administração Pública acusa as estruturas sindicais de não terem 'vontade negocial', isto por causa da greve convocada pela Frente Comum para Junho. Ana Avoila, coordenadora dessa estrutura sindical, resumiu a reunião a 'um simulacro de negociação'.

    No encontro de ontem era esperado que fosse apresentado um dos documentos elaborados por especialistas que propunha o despedimento colectivo na Administração Pública, como o nosso joranal noticiou há cerca de duas semanas, mas durante a fase de apreciação o Governo decidiu não avançar com a medida. 'É uma questão que não tem razão de existir neste momento', garante fonte do Executivo. O Estado deixa assim de poder invocar, ao contrário do sector privado, a figura do despedimento colectivo quando estiverem em causa a extinção de serviços públicos que afectem mais do que cinco trabalhadores".

    Ora, isto vem hoje no CM, da Cofina muito "entretida" com o Governo. Os Governos não precisam de controlar a informação num canal televisivo: ajuda, mas não chega, nem é essencial. Há que ter uma escapatória, uma besta para lançar notícias. Os jornais do regime, como no 24 de Abril, estão aí para isso.

    Nem de propósito, a Cofina detém o Record e está a proceder ao despedimento colectivo de 11 ou 12 pessoas, a maioria jornalistas. Entretanto, dizem aos jornalistas para não fazerem grande alarido com a notícia com que eles se confrontam agora mesmo. É o 24 de Abril, o aparelhismo, o situacionismo, o controleirismo, o fascismo em alegada democracismo.
    Contra tudo isto, o FC Porto vence. Tem o CM à porta, o Record a mendigar por um lugar mas também à porta, não é só a RTP...
    O FC Porto vence até por cima disto tudo, não só contra tudo e todos. Por isso, a expressão das suas vitórias é demasiado grande e eloquente que creio que escapa aos seus fiéis adeptos. Porque as coisas fora da esfera da bola também contam muitas vezes contra.
    O FC Porto é, por isso, o meu grande orgulho.

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  12. A situação do Porto -do FCPorto- relativamente às transmissões televisivas ou radiofónicas é uma situação que se arrasta de há muito. Por exemplo, este ano a SIC adquiriu os direitos de transmissão dos jogos da Taça de Portugal e tendo na mão esses direitos o que fez de imediato? - Elegeu os jogos em que interviessem Sporting ou o Benfica e silenciou até onde lhe foi possível os jogos do Porto!...Agora tem que os gramar sem alternativa, mas até aqui foi o que se viu...Depois, nos jogos da Liga Intercalar aconteceu algo do mesmo -muitos dos resultados só os adivinhava se não falavam deles- nas Competições Europeias idem, mas fosse em Futebol, Basquete ou Bilhar de Bolso...Ainda hoje foi notícia de primeira linha, a investigação à Empresa de Pinto da Costa sediada em Cedofeita...Soube através da minha esposa que sem ter qualquer Rádio junto de si, acabou por saber do que se falava, pois esta notícia foi veiculada com tanta ênfase nos Telejornais durante a hora de almoço, que correu a boca de todo o Mundo...Eu que estava com as Tvs Desligadas de nada me apercebi...Quando ela me perguntou, "sabes o que se passa?" eu apenas lhe disse tranquilamente, "tem calma, se eles falam tanto, não deve ser nada de muito importante"...Parece que acertei!...Mas também já são alguns anos de traquejo!...Isto de ser Portista a par de muitas outras coisas, tem muito que se lhe diga...Falaram aqui do Ribeirinho.da.SIC, sobre a tal famigerada tentativa de agressão nunca mais se comentou nada...O que se terá passado?...Não andarei longe da verdade se afirmar que descobriram que os autores da proeza, eram apaniguados Benfiquistas...Estarei errado? Quase que aposto a cortarem-me...Os botões de Punho!...è realmente um escândalo que falem do Benfica porque ganha e falem do Benfica porque perde...Se estiverem à beira do colapso falarão ininterruptamente dele e se estiver perto de alcançar a glória -como ganhar o Campeonato de Futsal- será exactamente igual...Os outros não contam, melhor contam, mas assim nesta espécie de colocação classificativa -se assim o podemos dizer- primeiro Benfica, depois Benfica, a seguir Benfica e mais tarde Sporting...Se houver uns minutos restantes para preencher então falar-se-à um bocadinho do FCPorto...Estas são as regras e dentro destas regras -mesmo assim- existem exageros, existem os que falam primeiro do Benfica, depois do Benfica e se restarem ainda alguns minutos, falarão talvez só para rematarem a conversa, um pouco mais do Benfica! Outrso falarão primeiro do Sporting, depois do Benfica e a seguir voltarão a falar do Sporting...É só dar uma vista de olhos pelos jornais expostos nas Bancas, ou de atentar aos Programas Desportivos, sejam eles veiculados pela Rádio ou através das Televisões em Programas especializados ou somente nos Telejornais...Não é complexo de inferioridade, é apenas ser observador paciente, muito, mesmo "muito paciente"!...Quantas vezes se salvou a Tv de levar uma biqueirada em pleno ecrã?...Não tem conta, e o que a salva é ela ter custado algumas notas bem pretas e eu andar pelas ruas da amargura em matéria de saldo disponível! Eu não tenho muita fé na mudança rápida deste estado de coisas, apenas surgirá esta mudança se acontecer algo de muito inestimável, porque já se percebeu e bem, que ganhar uma Taça UEFA, uma Champions League ou a Taça Intercontinental, não aquece nem arrefece, estes "espíritos Democratas"...Talvez uma bomba atómica sobre a zona da Luz seja um remédio milagroso!...Pelo menos, Luminoso será, sem dúvida!...Acho também que existe muita cobardia dos próprios Jornalistas -alguns afectos ao próprio Clube- que olham para os bolsos primeiro e para o coração depois...E muita falta de dignidade e seriedade...Vivemos numa Sociedade -quanto a mim- com cada vez menos princípios...O Zé Luís fala da "estranheza" que lhe causa falar em Partidos...É natural, essa origem semântica perdeu qualidade, hoje o grande Partido é o Partido dos Oportunistas, e esses abundam em todos os quadrantes Políticos!...Haverá um núcleo resistente que habitará na franjas do PCP e nas franjas dos Grupos de extrema esquerda, mas sinceramente confesso, perdi as ilusões!...Para mim apenas existe o passado dedicado a quem reconheço muito do que me alimenta, não consigo descobrir para além de uma ou duas figuras muito tipificadas, nada que me faça respirar uma ar de verdadeira Esperança!...Mas que Viva o 25 de Abril e os seus Ideais nunca mortos no meu coração!...No fundo é isso que ainda me ajuda a encarar o Mundo com algum optimismo a admitir que haverá gente como eu, disposta a sorrir perante este tipo de existência tão Videirinha, como diria o "tão querido de muitos" -para o que lhes convém - e Cosmopolita Eça de Queirós!...
    -Hoje, 25 de Abril, no Auditório Municipal de Vila do Conde pelas 21,30, a não perder, Janita Salomé!...

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  13. A ultima vez que estive em Portugal, em Dezembro passado, passei cerca de uma semana no Porto.
    Nunca tinha visto o Porto tao triste e tao parado.
    O desemprego atacou em força e os sucessivos tiros nos pés ajudaram ao distanciamento face a Lisboa.
    Basta olhar para a baixa, ou para o "calçadao" da praia de Leça. Oportunidades de ouro para devolver um pouco de "verde" à cidade, com gosto arquitectonico que se enquadrasse na arquitectura de 1700 da Avenida. O betao, sem gosto, sem ordem, sem noçao de estetica. Frio. Dois espaços deoportunidade. Dois espaços perdidos. Numa cidade com uma das maiores areas de patrimonio da humanidade na Europa.
    Se juntarmos a isto obras como a A1 que na pratica atravessao Porto "a meio", enquanto em Lisboa foram construidos acessos sem fim, com inumeras desculpas de densidade populacional. Favoritismos centralistas.

    Na oferta cultural, tudo igual. No ano em que o Porto foi capital Europeia da cultura, Lisboa teve mais oferta cultural que o Porto. Nao foram lançadas bases para fixar o Porto no roteiro da cultura na Europa e pior do que isso os tiros nos pés voltaram, com os "embargos" idiotas de Rui Rio para "congelar" a Casa da Musica e mais tarde o Estadio do Dragao e acessos envolventes.

    So nestes 2 paragrafos estao 4 exemplos de asneiras medonhas, que nao sao so momentaneas. Teem repercursoes futuras de dimensao incalculavel.
    Isto enquanto em Lisboa, as obras Faraonicas sao construidas em velocidade relampago. Porque o dinheiro sempre "se arranja" e porque a cidade nao pertence verdadeiramente a ninguém, como pertence o Porto. Lisboa é mais cosmopolita e por isso mesmo, os "macro-projectos" sao mais simples de gerir.

    O Porto em vez de combater isso com uniao e identidade, deu tiros nos pés. Hipotecou para sempre alguns espaços da cidade e deixou que os desvios de dinheiro no Metro se arrastassem até paralizarem a obra. Descoordenaçao total. Interesses pequeninos deste e daquele a sobreporem-se ao interesse global.
    Isto enquanto em Lisboa, sucessivos governos esbanjaram mais dinheiro entre o Cais do Sodré e Santa Apolonia do que em todo o Metro do Porto. Mas Lisboa nao sofre verdadeiramente com derrapagens como sofre o resto do pais.

    Lisboa é para Ingles ver.

    Contra tudo isto, ninguém mexeu verdadeiramente uma palha.
    Tal como nos anos das "empreitadas a monte", que continuam. A destruiçao sem nexo do nosso Litoral, com planos de ordenamento "trespassados" a torto e a direito. Sem que as populaçoes de insurgissem contra o que quer que fosse.

    Na América do Norte a terra é terra de ninguém. Nao existem os problemas de espaço com que a Europa se debate.
    As cidades cresceram. O sprawl aconteceu. Sem terem estudado exemplos Europeus muito mais evoluidos e cimentados, proprios de cidades mais velhas.
    As nossas cidades por outro lado nao tem problemas de densidade. Ou seja, sao suficientemente densas para termos bons sistemas de transporte, porque as distancias sao menores e os terminais podem ser construidos aqui ou ali porque a densidade assim o permite.

    Muitas cidades Europeias vao ser as cidades do futuro. Quando as energias se localizarem, com o petroleo a desaparecer. As distancias sao menores e as pequenas superficies terao uma segunda chance. O Porto estara no comboio da frente, se se souber organizar.
    A globalizaçao esta ai para ser aproveitada e é bom que a aproveitemos para investir naquilo que vai perdurar e liderar quando a localizaçao regressar.
    Penso que o investimento de Socrates nas novas energias e o mega projecto do Alqueva que vai criar um micro clima decisivo naquela zona, vao nesse sentido.

    Mas e o resto?

    Para pensarmos globalmente por vezes temos que ser deitados aos leoes.
    Porque é que nao somos mais liberais nos negocios? Qual é o medo? Nao estariamos assim a criar uma cultura de empreendorismo e competencia?
    Porque é que tem tudo de ser da PT e da EDP e da Caixa?
    E o porque é que o Armando Vara ainda aparece?

    Acho que a nossa populaçao nao foi atirada aos leoes. Acomodou-se. Mas acomodou-se a situaçoes sem interesse, sem nexo. Porque é que eu tenho de me acomodar a uma democracia podre? Quando a Europa é o berço da ideologia politica, tal como a conhecemos, vemos partidos intitulados disto e daquilo, sem qualquer ideologia a condizer com o nome.

    A situaçao muda se as mentes mudarem. Mas vejo as mentes paradas. Tomadas pelo colonialismo americano. E é por isso que a meia duzia de passaroes toma conta do que quer.

    Ze Luis, sai de Portugal porque me sentia profundamente desiludido com o pais. Com as pessoas.

    E aquilo que eu odeio:
    - O enaltecer do que nao presta e dimiuir o que tem qualidade.

    Isso é o que faz o Record, A Bola, às vezes o Publico, até o Expresso.
    Esta discussao dos média, que é tao importante e que nao se faz de facto, com seriedade.
    Controlo da informaçao, pois claro.
    E ainda falam do Berlusconi?

    E o que leva alguém a votar numa pessoa como Rui Rio?
    E o que leva um partido do tamanho do PSD a desaparecer? Nao sera a falta de um ideal?
    O PS também nao me parecer ter qualquer ideal, sera que também vai desaparecer?

    Durante tantos anos, se protegeram os incompetentes. Se promoveram os cabulas. Agora sao eles que regem os destinos e decidem. Por isso mesmo pessoas como Rui Rio ou Santana Lopes sobem a cargos de tanta importancia.
    Por isso uma besta como Luis Filipe Vieira é presidente do Benfica.
    Pelas mesmas razoes, alguém com a competencia de Pinto da Costa tem a sua imagem denegrida dia apos dia.
    E é isso mesmo, o FCPorto é para mim a referencia do meu pais. Significa raça, inconformismo e competencia. Disso eu gosto.

    Digam o que quiserem. As vitorias do Porto nao sao so vitorias desportivas. E os outros nao percebem a minha alegria nessas vitorias. Sao algo muito mais profundo. Sao um ideal tornado realidade.

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  14. Já o disse aqui uma vez e reafirmo-o: não tenho dúvidas que no Mundo em que vivemos os "esquemas" para se conseguirem resolver muitos "problemas" proliferam, quase ninguém escapa a essa realidade...Se eu fôr a um determinado local, por exemplo à Zara para comprar uma camisa e lá encontrar alguém que me deteste, o melhor é mudar logo de estabelecimento, senão corro o risco de trazer artigo com defeito bem escondido...Se fôr com frequência a um Café de alguém que não gosta do que eu digo, talvez eu comece a correr o risco -sem o saber- de beber uns cafés salpicados com desinfectante para baratas...Por isso eu digo, tenhamos fé!...Estamos mesmo remetidos à sorte Divina ou à sorte Cósmica!...No Desporto porque haveria de ser diferente?...Esquemas deve haver e mais que muitos, mas será que os que agora confessam ter contactos privilegiados com muita "gente", alguém que tem saltado de Cabo Verde para Angola, ou de Castro Marim para o Seixal com a mesma facilidade com que todos os dias experimenta um nó de gravata, escapou à tentação de exercer esse ministério de influência?...Se todos os testemunhos atestam que não, mesmo os daqueles que o idolatram, porque haveremos de pensar que este personagem que um dia falsificou -para fazer face à vida...- uns artefactos de borracha e os começou a vender como se novos fossem, é agora um paradigma de honestidade incontestável?...Se alguém que antes era considerado um exemplo acabado de personalidade corrupta se sentiu considerado -logo que mudou de poiso- como tendo uma capacidade extraordinária para resolver todo e qualquer problema que aparecesse, será que estamos também perante um neo-fenómeno do Entroncamento?...Não duvido que todos tenham tido a tentação de mergulhar neste tipo de relações menos claras, mas então iniciemos tudo de novo e apliquemos o remédio a todos sem excepção, para assim podermos a partir daí, ter algum crédito de Esperança...Mas duvido - a minha eterna dúvida- que alcançados certos patamares, essas personagens incólumes, sem mácula, não comecem ao fim de algum tempo a sentirem-se tentados a arriscar um bocadinho apenas que seja, por caminhos menos éticos ou claros!...Nunca me esquecerei de ver o senhor Dias Ferreira, sentado nas escadas da sua Repartição de Finanças para pagar as suas Contribuições em atraso, no tempo em que a sua irmã era a própria Ministra das Finanças!...Não me esquecerei de alguém que enquanto Ministro da Fazenda Pública "errou" ao alterar excessivamente Prazos e Valores Tabelados para a Isenção Predial - adquirir nessa altura Apartamento de luxo nas Avenidas Novas - para de seguida se "consciencializar" do "erro" cometido e voltar a alterar a Lei com dados completamente diferentes!...Ainda agora -muito recentemente- o nosso Estado altera as regras da Valorização Patrimonial, aplica novas taxas de IMI, mas mantém de forma paralela, duas categorias de Contribuintes, os de antes e os de depois de 2003!...Uns pagam 8% outros 5!...Tudo em nome da Equidade e da Justiça Fiscal!...Deixem-me rir!...Toc, Toc, Toc pela estrada fora...

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  15. «CHEGADA DOS PERITOS FINANCEIROS

    A equipa de Morgado vai ser reforçada com peritos financeiros que vão analisar os vários documentos enviados pelos bancos»

    Querem apostar que vem aí o celebérrimo Saldanha Sanches?...Saldanha Sanches, S.S...Curioso!?- Serviços Secretos,Polícia do III Reich,...Tinha alguma graça o Fiscalista - ou alguém ligado a ele ou por ele indicado -do LFVieira asentar arraiais em Cedofeita para investigar JNPCosta!...Nada mais cristalino e imparcial!...

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  16. Desculpem escrevi -asentar- quando deveria ter teclado duas vezes no "s"...Mas já agora, tem alguma lógica MJM convovar SS para as investigações na Invicta é que as Noites do Porto são muito convidativas...Aliás já andam nessa intensa azáfama os inspectores da Judiciária..Veja-se o acidente de há duas semanas em cima da Ponte da Arrábida!...Ainda por cima com uma Guia Muito Especializada...

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  17. «ESCUTAS EM TRIBUNAL

    "Então já não é o Eustáquio?", perguntou o treinador do Gondomar FC ao irmão Luís Nunes, vogal do conselho de arbitragem da FPF»

    Tem piada até parece o célebre telefonema do Orelhas a perguntar ao Major: "então já não vem o Paraty?"...Desculpem, queria dizer o Para.mim...

    P.S.: estas novidades e outras ainda mais escaldantes, têm honra de 1ª Página -quando sºao destas vêm sempre em lugar de destaque- adivinhem...Adivinhem...Adivinhem...-Exacto no Correio.da.Manha.Assanhada...Tudo de jorro que é para não deixar sossegar!

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  18. Essa dos fiscalistas esta demais...
    Que palhaçada. Telhados de vidro por todo o lado, nem Creolinas, nem Mitzes, Saldanhas e Orelhas... tudo gentinha com credibilidade zero para criar o rato que vem da montanha a baixo aos guinchos.

    Podridao e parvoice.

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  19. 20080424
    Formação em Provincianismo
    Lia-se no Diário Económico de 17.04.2008: "Quantas vezes não ligámos para o serviço informativo, 118 da PT para pedir o número de morada em Lisboa, por exemplo no Marquês de Pombal, e alguém do outro lado nos respondeu 'a localidade, por favor'", a propósito da deslocalização do serviço 118 para Cabo Verde. Concluía-se mais à frente que "Em Portugal, também há muita gente que não conhece Lisboa".

    A conclusão a retirar é precisamente a contrária. Em Lisboa é que ainda há muita gente que não conhece Portugal. Provincianos ao ponto de acharem que deverão ser considerados o centro do mundo para todo o português. E sobretudo muito ignorantes. Afinal, estão convencidos que não existe mais nenhum local chamado "marquês do pombal" em Portugal...mas existe:
    - Rua de Marquês de Pombal no Barreiro, Cacém, Albergaria-a-velha, Parede, ...
    - Av. Marquês do Pombal em Santarém, Sines, ...
    - Praça do Marquês de Pombal em: Pombal, Porto e Lisboa (ver wikipedia)

    Para resolver o "problema", foi feito um esforço no sentido de "dar aos seus colaboradores, cerca de 190, a formação necessária em geografia, cultura, língua portuguesa, entre outros." Nada como uma bela formação em provincianismo centralista para que eles, à imagem dos seus formadores, não se atrevam nunca mais a colocar a hipotese de haver algo em Portugal que fique fora de Lisboa...

    in Norteamos

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  20. Sócrates deixou sem resposta repto de Rui Moreira para privatização do Sá Carneiro - «Imediata privatização do Aeroporto Francisco Sá Carneiro; regionalização; articulação da ligação ferroviária Porto-Vigo com a aerogare e o porto de Leixões; apoio à renovação urbana no Porto e em Gaia ao mesmo nível que em Lisboa: "É sobre tudo isto, senhor primeiro-ministro, que agora o queremos ouvir". Queríamos, teria afirmado Rui Moreira, se soubesse que José Sócrates, convidado de honra do jantar do centenário do Palácio da Bolsa, o iria deixar sem resposta.» Hoje, no Público.

    in Norteamos

    p.s. - por sinal também mal ouvi falar desse discurso de Rui Moreira na festa dos 100 anos do Palácio da Bolsa. Esteve lá o Sótraques, mas pouco eco teve na CS. Abafada, bafienta, do 24 de Abril. Assim o Norte definha. Faltam (mais) líderes

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  21. Rui Moreira. O único Homem que deixa Sócrates sem resposta.

    in Nortadas

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  22. O que é que está a acontecer na Lusa?

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    Lusa governamentalizada à força

    O conselho de redacção (CR) da Lusa revela que a direcção de informação (DI) da agência serviu directamente os interesses noticiosos do gabinete do primeiro-ministro quando o PÚBLICO noticiou os projectos assinados por José Sócrates no distrito da Guarda. Na altura, a Lusa divulgou um único parecer jurídico, que foi "trazido em mão à Lusa por um assessor do primeiro-ministro e entregue ao director de informação", Luís Miguel Viana. Não foram noticiados comentários de outros juristas sobre esta matéria. Além disso, Viana "acrescentou numa notícia uma citação de um blogue favorável ao primeiro-ministro" (Causa Nossa, de Vital Moreira), ignorando a "multiplicidade de posições divergentes" sobre o assunto na blogosfera. Mais nenhum blogue foi citado. Os dois casos, segundo um comunicado conjunto da última reunião do CR com Viana, contrariam a "obrigação de isenção, objectividade e independência da Lusa". Recorde-se que Viana foi escolhido para a direcção da Lusa pelo gabinete do primeiro-ministro. Como qualquer político, Viana inclui no comunicado justificações para todas as acusações do CR.
    A situação na Lusa é grave. Nos últimos meses, a DI transferiu ou afastou das suas funções jornalísticas cinco dos seis membros do CR, o que prefigura uma perseguição político-laboral de que não há memória no país em dezenas de anos. Um membro do CR transferido afirma-se "penalizado por delito de opinião" colectivamente expressa dentro da "estrita competência de um órgão dos jornalistas" consignado na lei. Ele compara a situação ao que viveu antes do 25 de Abril. Houve mais "transferências compulsivas". Nos últimos meses, dos sete redactores de áreas da política nacional só um ficou no cargo: Pedro Morais Fonseca, precisamente o jornalista que acompanha o PS e o Governo e de cujas notícias, digamos assim, nem o Governo nem o PS têm razões de queixa.
    Alguns jornalistas saíram ou estão para sair da agência em consequência deste ambiente que o CR define como de "intimidação". Como é próprio do autoritarismo, os atropelos às regras institucionais sucedem-se, caso do recurso a estagiários e nomeações sem pedidos de parecer. Viana afirmou há pouco tempo que a Lusa tinha "jornalistas a mais", mas mete agora mais chefes que a redacção considera desnecessários. O controle orçamental das despesinhas (do tipo "poupar no papel higiénico"), quer em Lisboa, quer na delegação no Porto, atinge a asfixia, mas entretanto Viana propõe a entrada de dois amigos com a categoria de subdirectores para poderem manter os mesmos salários que auferiam antes, com custos que devem aproximar-se dos 200 mil euros anuais (a DI custa cerca de meio milhão de euros por ano). Há jornalistas que se referem a este tipo de comportamentos e declarações da direcção como "a Mentira".
    Um trabalhador da agência denuncia que está em curso na Lusa "a maior e mais violenta operação de ocupação" de um órgão de comunicação social "já vista desde Junho de 1974". Entraram na agência 11 pessoas para ocupar o topo da informação: o director e os três adjuntos, um dos dois chefe de redacção, quatro editores (política, país, lusofonia e agenda) e dois editores adjuntos (sociedade e país). Este assalto pelo exterior foi dirigido às "áreas politicamente mais sensíveis" e que permitem uma maior influência política sobre a orientação (como a agenda) e a produção noticiosa. O assalto "atinge todas as áreas que realmente interessam ao controlo político e aos interesses instalados".
    A tomada da Lusa por este grupo "foi um assalto violento", pois "não houve um projecto", não houve diálogo, pedagogia, mobilização. Pelo contrário, "o assalto foi quezilento, cheio de polémicas, de ameaças, de processos disciplinares". Foi "à força".
    Este quadro de violência sistémica, de autoritarismo e nepotismo há muito tempo vem sendo relatado por jornalistas da Lusa, que se sentem coarctados e ofendidos profissionalmente, mas que é ignorado pelos media em geral, pelos agentes políticos e da sociedade civil e pela ERC.
    O autoritarismo, o atropelo às regras e a propaganda governamental só podem acontecer de forma tão desbragada porque Portugal tem uma ERC criada em conluio pelo Bloco Central e que serve mais para dar cobertura ao que o Governo e o Bloco Central pretendem do que para efectivamente regular a favor da liberdade.
    A esmagadora maioria dos jornalistas da Lusa, tal como em qualquer outro órgão de informação, não se move por fazer fretes ao Governo ou por fazer notícias contra o Governo. Apenas quer escrever notícias. Mas nem o Governo, nem a ERC, nem a administração nem a direcção de informação da Lusa os deixam fazer notícias descansadamente e em liberdade.

    Eduardo Cintra Torres - "Público" 19 Abr 08

    p.s. - Como hoje "é Abril", para o soren perceber um pouco mais e, de preferência, os portistas de bancada em geral.
    O 24 de Abril existiu e subsiste.
    Mas o soren não me venha perguntar sobre a frase " ignorado pelos media em geral, pelos agentes políticos e da sociedade civil". Porque já falei da concentraçao de meios em grupos de CS. Daí a usufruírem de benefícios junto do poder está um 24 de Abril. De novo.

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  23. Zé Luís, não resisti ao convite e estive a espreitar o "Norteamos", peço apenas uma confirmação: -será que aquele "vulto" não engana?...Gostei muito do "squna"...belo gesto! Muito versátil e assertivo...Depois retirei algo de lá, apenas publicidade:

    «Wayang Center Lisboa - Tel: 21 886 18 96 -
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    Todo um mundo de luxo e sensualidade orientado para o público masculino onde as nossas profissionais altamente qualificadas o farão desfrutar de toda uma gama das mais variadas massagens.
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    -Será que é aqui que trabalha a colaboradora da "vai formosa e não segura, Leonor pela -vermelhura- "?...

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  24. Já que se falou no discurso do Rui Moreira, que é de grande qualidade, frontalidade e que merece o meu forte aplauso, deixo-o à vossa disposição.
    Um abraço

    Senhor Primeiro-Ministro, Excelência,
    Senhor Ministro de Estado e das Finanças,
    Senhora Governadora Civil do Porto,
    Senhor Presidente da Junta Metropolitana,
    Senhores Presidentes de Câmara,
    Senhor Presidente da CCDR,
    Senhores Deputados e autarcas,
    Senhores representantes das autoridades militares, civis e religiosas,
    Senhores representantes da comunicação social,
    Senhoras e Senhores convidados,
    Senhoras e Senhores associados,

    Permitam-me me que inverta a ordem protocolar do discurso e que comece por agradecer a presença do Senhor Primeiro-Ministro neste nosso jantar anual.
    Faço-o, porque tive que esperar por este dia, em que fui eleito para o meu oitavo mandato anual como Presidente da Associação Comercial do Porto, para saudar a primeira visita de um Primeiro-Ministro de Portugal a esta casa, na qualidade de nosso convidado.
    Faço-o, também, porque a sua visita, Senhor Primeiro-Ministro, coincide com um dia muito especial, em que celebramos o primeiro centenário da inauguração da nossa sede, o Palácio da Bolsa, cuja construção se concluiu depois de mais de sessenta conturbados anos, em 1908.
    Senhor Primeiro-Ministro,
    Sei bem que os ilustres convidados que hoje nos honram com a sua presença, se impacientam e o querem ouvir a si. Mas, permita-me, ainda assim, que aproveite esta circunstância para lhe dirigir algumas palavras.
    Em primeiro lugar, faço-o para lhe dar conta do que se passa nesta casa, porque sei que o Senhor Primeiro Ministro - e também o Senhor Ministro de Estado e das Finanças - gostam de boas notícias. Aliás, o país precisa de ouvir boas novas. Creio que se justifica também uma pequena nota sobre o que é a Associação, para evitar os equívocos sobre a sua natureza.
    Ora, a Associação Comercial do Porto está viva e de boa saúde. No ano transacto, investimos nas obras de reabilitação deste Palácio uma verba muito próxima de dois milhões de euros. Fizemo-lo com o recurso aos nossos fundos próprios mas também, ao abrigo do Programa Operacional Norte Medida 1.6 e ainda graças aos nossos mecenas (Portugal Telecom e Caixa Geral de Depósitos), com o apoio do IGESPAR e da SRU e com o auxílio dos cientistas da FEUP e o concurso de várias empresas portuguesas. Uma obra, senhor Primeiro-Ministro, que ficará perpetuada através de um livro que hoje apresentamos e que será, também, uma referência para todos os que se interessam pela recuperação do nosso património.
    Apesar do impacto destas obras nas contas da Associação Comercial do Porto, pelo seu custo e pelas restrições que impuseram na fruição e na consequente exploração do Palácio da Bolsa, conseguimos apresentar um resultado positivo de dimensão inédita. E, recordo que estes resultados foram obtidos depois de termos custeado, sem quaisquer patrocínios, um importante e relevante estudo sobre o modelo aeroportuário nacional, que encomendamos à Universidade Católica e que contou com a colaboração de especialistas portugueses e estrangeiros. Um estudo que teve um significativo impacto prático. Além disso, a Associação Comercial do Porto continua a proporcionar uma programação cultural relevante e apoia também várias instituições de solidariedade social. Aliás, toda a receita do jantar de hoje reverte a favor do Stella Maris de Leixões, uma instituição assistencial de grande relevo.
    Senhor Primeiro-Ministro,
    A Associação Comercial do Porto é pois, hoje, uma instituição sustentável e viável. Não depende de apoios ou de subsídios de poderes públicos ou privados. Naturalmente, esta instituição é hoje diferente da que Ferreira Borges idealizou e que os burgueses liberais da cidade adoptaram. Mas, cento e setenta e quatro anos depois da sua fundação, cem anos depois da conclusão das obras deste Palácio das Ideias Nobres, ainda acreditamos que, e cito, devemos inquirir das necessidades e promover a prosperidade e ilustração da comunidade de negócios e da população em geral. São estes os valores supremos desta casa desde a sua fundação, uma missão nobre e sempre actual. Por isso, queremos ser uma voz independente, que se empenha de forma livre e desinibida pela defesa intransigente desses seus objectivos estatutários. Por isso, exercemos a nossa acção avaliando as consequências das políticas públicas e influenciando os seus decisores, sobretudo quando elas atingem questões consideradas vitais para o desenvolvimento da cidade e da região.
    .
    E, acreditamos também, minhas Senhoras e minha Senhores, que enquanto formos viáveis, esta ingerência pode sempre ser feita à margem de quaisquer concessões políticas. São essas as razões que nos animam para continuarmos a pugnar pelos princípios e pelos ideais que estão na génese desta instituição.
    Senhor Primeiro Ministro, Senhor Ministro de Estado e das Finanças, Minhas Senhoras e Meus Senhores, Excelências,
    Estamos numa Casa de Liberdade. Estamos na Casa da Praça, no Antigo Tribunal do Comércio do Porto, no Palácio da Bolsa, no Senado informal das gentes do Porto, das suas pessoas de bem. Estamos hoje aqui reunidos para uma celebração de que esta instituição, a cidade e os seus bons cidadãos se orgulham.
    Temos hoje a presença do Senhor Primeiro Ministro, o nosso convidado de honra. Temos também o prazer de contar com a presença, entre nós e neste Pátio das Nações, do Senhor Ministro de Estado e das Finanças, um portuense ilustre. Temos, ainda, o prazer de contar com a presença da Senhora Governadora Civil, do Presidente da CCDR, do Senhor Presidente da Câmara do Porto e da Junta Metropolitana, bem como de outros ilustres autarcas. Temos, entre nós, os representantes das mais importantes instituições da cidade, entre as quais destaco as nossas Universidades e, naturalmente, do Futebol Clube do Porto, com quem partilhamos as cores e a bandeira do liberalismo. Temos, entre nós, representantes do Senhor Bispo do Porto e da Misericórdia, do Corpo Consular, da Polícia Judiciária. Temos, enfim, alguns dos mais ilustres jornalistas do Porto e muitos representantes da sociedade civil entre os quais destaco os empresários e os empreendedores que são os herdeiros dos nossos fundadores.
    Não poderia, por isso, desperdiçar esta ocasião. Permitam-me pois, que dê nota de algumas dos temas que nos são caros.

    Senhor Primeiro-Ministro,
    O Norte, e a cidade do Porto em particular, não vivem tempos felizes. Seria impossível fazer hoje um retrato da situação e seria inconveniente apontar um diagnóstico e sugerir-lhe uma terapia. Conviremos, todos nós aqui presentes, que há questões exógenas que nem o uníssono das nossas boas vontades conseguiria contrariar e que há, também, causas endógenas. Não faltam, por isso, razões de queixa cruzadas e muitas culpas que todos partilhamos.
    Mas, é inequívoco que o Norte e a cidade do Porto, que no passado foi um bastião ao qual o país recorreu em tempos de extrema necessidade - e é por isso, afinal, que os portuenses são conhecidos e se orgulham do cognome de tripeiros - precisam hoje de muito apoio e de um grande alento. E, Senhor Primeiro-Ministro, merecem essa solidariedade não só por esse crédito do passado e por razões imperiosas de coesão nacional, mas também pela vontade indómita que continuam a demonstrar.
    Um bom exemplo desta vontade resulta de um episódio que se iniciou nesta casa, há meses atrás, quando o Senhor Primeiro-Ministro, aqui reunido com alguns dos maiores empresários da região, os exortou a apresentarem uma alternativa credível para a privatização autónoma do aeroporto Francisco Sá Carneiro. Essa era, como todos sabem, uma questão que há muito preocupava a Associação Comercial do Porto e, por isso, o seu desafio surgiu no tempo e no local certos.
    Ora, a resposta não se fez esperar. O seu repto, Senhor Primeiro-Ministro, foi prontamente correspondido pela Sonae e a Soares da Costa, que prontamente anunciaram estarem disponíveis para esse investimento, dando uma eloquente demonstração de que, ao contrário do que pressagiavam alguns profetas da desgraça, o empreendorismo do Norte está, afinal, bem vivo.
    É justo por isso, que saúde a sua visão política, Senhor Primeiro-Ministro. É justo também que cumprimente os investidores, que elogie a Junta Metropolitana - que em boa hora se empenhou por este tema tão importante – e me regozije com a disponibilidade das universidades e associações empresariais em apoiar o referido projecto. Também nós, ACP, estamos disponíveis e empenhados em dar o nosso contributo.
    Por isso, e porque urge avançar, peço-lhe, Senhor Primeiro-Ministro, que ordene que o processo de privatização avance de imediato e sem mais delongas, para que o nosso aeroporto possa ser um grande activo e um factor primordial no desenvolvimento da região, a exemplo do que tem sido o porto de Leixões.
    Permita-me, Senhor Primeiro-Ministro, minhas Senhoras e meus Senhores que, a propósito do porto de Leixões e do seu progresso e desenvolvimento, abrir um breve parêntesis neste meu discurso.
    Na última reunião de Direcção, e por unanimidade, foi deliberado atribuir um voto de louvor e a entrega, a título excepcional, da medalha de prata da Associação Comercial do Porto ao seu presidente cessante, pelo empenho, dedicação e serviços prestados á Região Norte enquanto liderou os destinos desta fundamental Instituição da Região.
    Chamo pois o nosso consócio, senhor Doutor Ricardo Fonseca para receber esse galardão.

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    Continuando, Senhor Primeiro-Ministro, permita-me que lhe refira algumas outras questões, que têm estado na agenda da Associação Comercial do Porto.
    Em primeiro lugar, a necessidade de avançar com a regionalização porque, dez anos depois de ter sido recusada, não se vislumbra uma outra forma de contrariar a progressiva concentração e centralização do país. Percebe-se hoje que, ao contrário daquilo que tanto os defensores e os opositores da regionalização nos fizeram crer, o resultado do referendo foi entendido pelo poder central como uma carta-branca para a progressiva centralização e concentração do Estado. A verdade é que, dez anos passados a situação é insuportável porque, como reconheceu o Senhor Dr. Mário Soares, “a descentralização, desejada por adversários e partidários da regionalização, que implica a reforma do Estado, continua por fazer”.
    Mas, há também questões que nos preocupam e que não dependem, sequer, de um referendo. Por um lado, há uma questão subjacente às infraestruturas e que tem a ver com a dimensão estratégica dos grandes investimentos. Ora, Senhor Primeiro-Ministro, por muita que seja a boa vontade e por muito que se aplauda o voluntarismo de quem decide, as grandes obras públicas não podem deixar de estar condicionadas a uma visão estratégica. No caso do TGV, por exemplo, é inevitável que este modo de transporte e o seu desenvolvimento sejam condicionados a um conjunto de exigências óbvias. Uma ligação à Galiza não pode deixar de ser cuidadosamente ponderada em função dos fluxos expectáveis de passageiros e mercadorias e não pode deixar de ser articulada com o nosso aeroporto e o nosso porto de mar, sob pena de poder vir a funcionar como um dreno que nos retira vantagens competitivas. No caso da ligação Lisboa-Porto, é também necessário definir prioridades que passam pela exigência de, num prazo relativamente curto, se conseguir agilizar o transporte de passageiros por ferrovia em menos de duas horas. Independentemente dos desafios futuros e a mais longo prazo que possam ser compatibilizados com essa primeira carência, o Norte e o Porto não podem esperar 5 ou mais anos por uma ligação de alta velocidade. O Norte e o Porto exigem uma solução para esse período de transição.
    Por fim é indispensável que o Governo olhe para esta área metropolitana com o mesmo cuidado e carinho com que olha a Região de Lisboa. A reabilitação urbana, por exemplo, em que os municípios do Porto e de Gaia se têm empenhado, necessita de um impulso semelhante ao que o Governo promete, na capital, para a zona ribeirinha.
    Senhor Primeiro-Ministro,
    Muito mais haveria para lhe dizer, hoje. Gostaria de ter tempo para lhe falar da nossa Universidade, e do CREN. Gostaria, é claro, de lhe falar na conveniência de promover a dispersão territorial de competências dos instrumentos públicos, para que o interior do país não fique condenado ao envelhecimento e ao esquecimento. Gostaria, também de lhe falar na conveniência de o Governo apoiar as iniciativas das nossas universidades com o mesmo entusiasmo que tem apadrinhado o Lisbon MBA. Tudo isto são temas que Vossa Excelência bem conhece, com os quais se vê confrontado todos os dias e sobre os quais o queremos ouvir.
    Permita-me que lhe diga, ainda assim, que reconheço as dificuldades que a governação encontra, quando tenta introduzir as reformas indispensáveis. Compreendo a dificuldade crescente para se mobilizar o espírito de sacrifício dos portugueses, massacrados por anos sucessivos em que passaram ao lado do progresso e do crescimento dos seus vizinhos europeus e que agora temem que as esperanças que lhes prometiam venham a naufragar nas águas agitadas da economia mundial.

    Mas, Senhor Primeiro-Ministro, e atrevo-me a interpretar também o sentimento de muitos dos nossos associados, acredito que o seu impulso reformista é meritório e patriótico. Uma palavra que, infelizmente, caiu em desuso, mas que soa bem neste Pátio das Nações.
    Acredito que é, afinal, a única opção viável nesta conjuntura e, por isso e por muito que exija mais sacrifícios, terá consequências benéficas para Portugal. E, Senhor Primeiro Ministro, posso-lhe garantir que contará sempre com a nossa opinião sincera, independente e firme – e eu sei bem que ela é por vezes incómoda - mas também que com o nosso empenho e com os nossos contributos nas importantes reformas que o Governo a que Vossa Excelência preside tem vindo a encetar.
    É sobre tudo isto, Senhor Primeiro-Ministro, que agora o queremos ouvir.

    Muito obrigado

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  25. Viva !

    Não podia estar ausente nesta data.

    O 25 de Abril é uma data histórica.

    Não conheço, por estar fora, o desenvolvimento económico de Portugal por dentro . Só tenho dados da ocde no âmbito do meu trabalho.

    Mas sei uma coisa : A emigração que hoje vai chegando todos os dias a França é letrada, tem poder de espirito crítico. Nada a haver com a dos anos 60 !

    Vivam os ideais de Abril !

    Viva o Porto !

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  26. Obrigado ao Dragão Vila Pouca pelo discurso de Rui Moreira na Bolsa que aqui nos trouxe.
    Li-o avidamente e fiquei muito satisfeito.
    No dia da cerimónia estive KO de forma a ficar desacompanhado de toda a actualidade nacional, inclusive desportiva.
    Agora percebo porque o Sótraques ficou speachless.
    Entretanto, por Lisboa, depois de ouvir que as obras em Santa Apolónia são para deitar ao gato, e não só sobre a chegada do Metro, o espantoso edil lisbonense já disse que era bom acabar com Sta. Apolónia em virtude do crescimento da Gare do Oriente.
    É fartar vilanagem!
    Hoje, no 25 de Abril, apanho o marmanjo do Costa - a vida não lhe costa! - a rejubilar com as obras no quartel do Carmo para fazer um Museu da Revolução.
    Puta que os pariu, sanguessugas!

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  27. Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
    Sem Palavras...
    Sacudido pela espuma das ondas e sujeitos às marés, balança frágil o barco do povo. Sopram ventos cruzados e densos sobre o mar escuro, acendem-se e apagam-se lanternas, e o barco continua batido pelas vagas incertas, sem a luz viva de um farol, nem indicação de um rumo justo.

    Por isso, é útil salientar uma feliz notícia que recebi há bocado. O nosso amigo Ferreira do blogue Sem Palavras comunicou-me hoje que acaba de saber que foi absolvido no processo crime e pedido de indemnização intentado pela empresa Jocel relativamente a posts que escreveu no seu blogue. Custa, mas a pouco e pouco, a liberdade acaba sempre por vencer o poder e o medo.

    in Do Portugal Profundo

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  28. Viva !

    Zé Luís faço meus os seguintes versos de Jorge de Sena :

    "Não sou daqueles cujos ossos se guardam, nem sou sequer dos que os vindouros lamentam ".

    O 25 de Abril ensinou-nos uma coisa essencial : Autorizou-nos a viver o desafio da condição humana !

    Vivam os Ideais de Abril !

    E Viva o Porto !

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  29. Fantastico o discurso do Rui Moreira. Bem haja por ter a coragem e a frontalidade de dizer, sem temores ridiculos, aquilo que é necessario ao pais.
    Sabem aqueles discursos, que parecem tirar-nos as palavras da boca? Uma por uma, uma atras da outra? Este é um desses.

    Essa da Jocel é qualquer coisa de extraordinario? Ja nao se pode ter opiniao?

    Abraço para todos, agora que o vosso 25 de Abril acaba e o meu ainda vai a meio.

    Bem hajam e viva o Porto!

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  30. Li atentamente o discurso do Senhor Rui Moreira e considero-o um desafio incontornável lançado de forma directa ao Governo...Pode o Primeiro Ministro ter ficado sem palavras - por conveniência ou surpresa genuína - mas se a posição de Rui Moreira não fôr uma posição individual e isolada, então Sócrates terá que lhe responder, sob pena, de a acontecer o contrário, não mais poder cruzar descansado as portas do Edifício-Sede da Associação Comercial do Porto!...O meu sincero aplauso à posição de Rui Moreira e isto não tem nada a ver nem se pode confundir com as críticas que lhe tenho feito, pelo espírito mais macio que lhe noto, nos debates em que está de Dragão ao peito!...Aí a face mais politizada e diplomática de RMoreira ressalta, em contraste nítido com o estilo menos escorreito e trabalhado dos seus contendores...É aí que eu ponho objecções, pois eu noto que o "nosso" Rui Moreira tem de cumprir nesses debates, devido à posição que ocupa nos fóruns mais alargados da nossa Região, serviços mínimos no que à educação respeita, mas nesses fóruns desportivos, ele não está a falar para o Primeiro Ministro, para os Empresários Nacionais ou Estrangeiros ou ainda, para o Ministro das Finanças, fala para o Povo mais chão em geral, aquele que quer escutar uma voz descodificada, directa, sem rodeios, sem grandes eufemismos...Por isso eu já afirmei que Rui Moreira tem que optar na sua vida por um dos caminhos da encruzilhada em que afinal se colocou, ou mantém estaa posição mais diplomática e caminha em direcção a uma representação ao mais alto nível no plano Político, ou contrariamente avança na sua paixão Desportiva em força, assim representando uma alternativa muito forte à futura Presidência do FCPorto...De outra forma não poderemos encarar como viável essa possibilidade, pois ela coloca-se num outro nível, num patamar muito diferente...Neste âmbito deve perder um pouco da sua timidez ou contenção em poder partir a loiça, mesmo que essa loiça ao escacar-se faça mesmo muito barulho!...Se atentarem bem, as minhas palavras foram sempre direccionadas nesse propósito, a definição e assumpção desse projecto de forma muito clara!...
    Estive em Vila do Conde, foi excpcional...Um trio de respeito, Zé Rui, Filipe Raposo e Janita Salomé ao seu melhor nível...Então a Grândola Final!....

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  31. Por falar em opções Políticas só de pensar que pode ser possível termos como Primeiro Ministro o Alberto João Jardim farto-me de rir!...Alberto João a 1º Ministro e Rui Rio a Ministro da Administração Interna: Burundi à vista!...Como Ministro da Cultura talvez o Roberto Leal!?...Uau!...

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