09 novembro 2010

Bin Laden ou Nobel da Paz? (III)*

* desculpem esta interrupção para abrir espaço às mini-séries, os clássicos seguirão por toda a semana tal como há vida para além do défice
Ainda bem que o Vi-te ó Pereira reagendou o que estava já marcado para as calendas gregas e vai voltar a falar, esta semana, talvez amanhã, para mais um balanço quinquenal do sector.
Sempre trilhado sabe-se lá porquê, como quem não convence e anda de consciência pesada, sempre é importante como aggiornamento político da coisa. Esta semana nem há futebol, a não ser a Taça da Treta de que mal se ouve falar, por isso tem cabimento opinar sobre mais cinco rondas da bola.

Não sabemos se vai fazer pedagogia, em falta na sessão anterior decerto por nunca ter pensado nisso, elogiando algumas boas arbitragens. A de Proença no Porto-Braga foi tão 5 estrelas, mas sem menção honrosa na ocasião anterior, como a exibição do Porto este domingo. Já a actuação de Pedro Proença não teve o mesmo valor agora.

O facto de o jogo acabar 5-0 não implica que se escamoteiem erros graves. Proença fez uma arbitragem globalmente boa. Começou por ser mal auxiliado por um "fiscal" ter muita pressa em marcar foras-de-jogo ao FC Porto, mas este depressa percebeu que seria a figura do encontro se não tratasse de ser honesto e imparcial.
Já Proença, pelo seu lado, não pode fazer vista grossa às mãos de Sálvio na bola. E, não, não foi à queima, porque Sálvio não era o primeiro jogador a opor-se a Álvaro (salvo erro). Sálvio estava longe e meteu deliberadamente as mãos à bola. Proença, de resto, não pode dizer que não viu. Viu, mas não quis marcar. E viu sensivelmente do local onde em 2008 quis ver o penálti de Yebdá sobre Lisandro, que não foi, num choque mais ou menos no mesmo local onde claramente Sálvio meteu as mãos à bola.
No penálti que não podia recusar sobre Hulk, aí devia ter expulsado Coentrão. É vermelho directo, há uma clara ocasião de golo de um jogador que, mesmo sem estar idealmente situado em posição frontal à baliza, tem todas as hipóteses de marcar, a bola até está ao jeito do seu pé esquerdo e apenas a 6 metros do g.r., com o defesa para trás, logo é expulsão inapelável, não me venham com tretas.
Falou o lado sentimental de sócio da instituição, mas Proença, em vez de se preocupar em não agravar mais o défice do benfas, devia cuidar de não estragar a sua arbitragem evitando deitar vinagre na ferida alheia.
As opiniões podem ter sido repartidas no penálti de Sálvio, mas houve jornais que o verificaram mas não penalizaram o árbitro. Fosse ao contrário e a nota artística seria mais severamente reduzida. Já quanto a Coentrão, ninguém apelou à expulsão. Subitamente, apoderou-se de todos uma compaixão que deu... pena. Mas as coisas são o que são.

Ontem, em Alvalade, houve de tudo. Já lá houve uma bola na baliza um metro (com o Leiria) e não contou. Agora, a bola nem o risco de golo pisou e valeu. Tudo graças a um auxiliar duplamente vesgo no mesmo lance e duplamente imbecil com um fora-de-jogo não assinalado no primeiro golo. Nélson Moniz, escriturário de Ponta Delgada, deve andar ao sabor das ondas do Atlântico e dos ventos de Oeste, indeciso entre a vela e o parapente, mas precisa de óculos e uma lição de hombridade.
Este asno pode ter a desculpa do lance rápido do 1º golo, até a defesa de beneficiar quem ataca e permitir a Valdez fugir e dar a Postiga o 1-0.

Mas não ver a carga de Evaldo sobre Nilsson num canto em cima da baliza e vislumbrar que o canto de Vukcevic tenha passado a linha, quando a bola roçou a barra depois do desvio de Nilson e nem sequer pisou a linha de baliza dá para uma boa temporada na jarra, entre as hortênsias que ladeiam profusamente as ilhas açorianas.

O jogo já tinha sido acidentado. O imbecil Elmano Santos, outro ilhéu (do Funchal), esteve poucos minutos em campo, saindo por lesão. O suficiente para não ver um empurrão nas costas, claríssimo, de João Pereira a um vitoriano perto da área leonina. Entrou André Gralha, empregado de armazém de Santarém, que já se notabilizara em Alvalade esta época, negando um golo ao Olhanense sem se ver falta alguma, para manchar o 0-0 final.
Gralha, gordito, limitou-se a receber a indicação do autilizar Nélson sobre o 2-0 que nem pisou o risco, mas não tem desculpa para não ver a carga ilegal de Evaldo sobre Nilson. Imperdoável, mas uma vez Beto também meteu um g.r. do V. Guimarães pela baliza dentro e valeu, não me lembro da vítima e quanto ao árbitro não estou para ir procurar, mas vi e o Sporting, que até estava a perder, ganhou esse jogo 4-2.
Bom, ao menos quase no final, Gralha não teve contemplações com Maniche. As contemplações que os sportinguistas tiveram, por exemplo, para a estúpida expulsão de Abel - continuam a ver como usa sempre os braços e disputa com Javi Garcia o título de melhor placador de râguebi da Liga de futebol? - na Bélgica. E, mesmo no fim, a carga de João Pereira, esse meio-jogador que já é internacional, nas costas de João Ribeiro, que Elmano viu mas não marcou no início, lá foi assinalada, sem gralha e com amarelo justificado pelo protesto, pateta, do jogador.
Agora, let's de Vi-te ó Pereira show begins. (afinal, é hoje à tarde).

actualizado: ouvi agora na rádio (TSF) que o homem elencou 17 situações de jogo, mas o imbecil repórter só falou de uma, a de ontem, a mais óbvia do golo que não entrou como se estivéssemos há anos à espera disso mesmo. Falou no jogo de Guimarães mas para enaltecer a honestidade de AVB, o que nem todos reconheceram, ao emendar a mão em relação ao penálti reclamado pelo FC Porto, sendo que não foi um "erro de paralaxe", mas só de má comunicação de fora... Ora bolas...


1 comentário:

  1. Não sei se o Vi-te ó Pereira terá tempo suficiente para analisar este jogo. Posso ter percebido mal, mas fiquei com a ideia que a análise da 10ª jornada estaria marcada para hoje...

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