11 abril 2015

Artista não pode perder protagonismo

O Barcelona demonstrou-o de forma cabal: "cagando" para o jogo em que chegou a 2-0, sofreu o 2-2 perto do fim porque deixou de pensar nele, enrolou a manta e acabou tosquiado, perdendo 2 pontos num jogo em que "facilitou".
 
Esteve para suceder o mesmo ao FC Porto em Vila do Conde: contra o vento nem foi problema, contra um "liner" vesgo que anulou um golo limpo, sem razão, a Brahimi, também foi superado, mesmo que o idiota tenha reincidido na asneira e perdoado um fora-de-jogo a Danilo do qual veio a sofrer um penálti e Quaresma convertê-lo; depois o 2-0 já sobre o intervalo permitiria à equipa jogar com o vento pelas costas na 2ª parte e gerir melhor as saídas para o ataque.
 
Mas foi numa permeabilidade defensiva de Danilo e Maicon, como tem sucedido nas visitas à Madeira, que o 1-2 deixou tudo a tremer sem a equipa de Lopetegui voltar a agarrar o jogo. Pensar no desafio seguinte pode ser perigoso, não houve mais critério nem bom senso nas saídas de bola e o empastelamento da 2ª parte foi pouco menos do que uma vergonha da parte dos jogadores. Hernâni, sempre com vontade mas sem muito jeito, lá tranquilizou após insistência e recuperação de bola de Aboubakar, mas este é mais um exemplo dos jogos pouco conseguidos de uma equipa que tem agora finais autênticas pela frente e com opositores de maior espessura técnica, mental e competitiva.
 
Não pode ser a pensar na Académica que o FC Porto vai receber o Bayern na 4ª feira nem pensar no Benfica quando jogar em Munique. O FC Porto safou-se em Vila do Conde sem esconder as debilidades actuais que não sossegam nenhum portista.
 
Como o Benfica não tem de pensar no jogo seguinte e ainda precisa de vender jogadores por uma "pipa de massa" que dantes dava para um pacote de 5 e agora já cabe em dois como se tivesse a Champions para valorizá-los e alguma final perdida para choramingar, cilindrou a Académica dos bons rapazes do costume, capazes de sofrer dois golos de cabeça com defesas estáticos na zona frontal da baliza e ter a condescendência costumeira de um árbitro que penaliza adversários do Benfica ao mínimo toque e contemporiza com lances que não pune aos benfiquistas (falta que antecedeu o penálti gentilmente concedido ou outra similar, a seguir, de Luisão no meio-campo).
 
Isto para falar de mediocridade geral e tocando a arbitragem de que foi exemplo a besta do árbitro-auxiliar do ataque portista na 1ª parte: o ignaro devia ter sido substituído ao intervalo por indecente e má figura.
 
Pouco melhor tem feito o FC Porto desde que perdeu na Choupana, ainda antes da paragem, a hipótese de ficar a um ponto do Benfica e aumentar-lhe a pressão. Assim, o líder continua a contar consigo mesmo e o FC Porto incapaz de se reencontrar de forma a ver-se dignamente, ao menos com confiança mínima, ao espelho. Depois do 1-2 ainda houve um canto mal controlado defensivamente. E Fabiano voltou a contagiar pela tremideira já insuportável: má reposição de bola com os pés na 1ª parte e má saída a um cruzamento na 2ª parte que poderia ter dado 2-2. Decididamente, não é guarda-redes para o FC Porto.
 
Isto continua muito fraco. E não augura, obviamente, nada de bom para estas duas semanas seguintes. Se o artista quer perder protagonismo, a morte é ao virar da esquina e se calhar nem precisa de duelo ao pôr-do-sol. Estão a pôr-se a jeito.

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