03 janeiro 2008

A competitividade

Medir com o cheiro e não com os olhos para antecipar um campeão – mas, xiuuu!, não se pode dizer… As bruxas e os velhos hábitos arbitrais. A Liga que não liga. E as duas frases de 2007

Ainda falta muito campeonato
(diversos autores em diversas ocasiões)

Ainda que a sentença natalícia de José Veiga, no rescaldo do último clássico de 1 de Dezembro, a anunciar que o “Apito Dourado não decidiu o Benfica-Porto”, seja merecedora de “frase do ano”, em 2007 o que mais se ouviu foi: “Ainda falta muito campeonato”. Foi no início, até porque o FC Porto perdeu em Leiria; foi até ao fim, com a derrota portista na Choupana. Ambas deram vida a adversários moribundos e, acima de tudo, espevitaram o interesse desportivo de uma Liga amiúde catalogada de medíocre e nada competitiva.

A Liga 2007-2008 vai recomeçar, sensivelmente no mesmo ponto em que a anterior ia a meio: o FC Porto destacado na liderança. Seis, oito ou dez pontos não é relevante. Porque nem sempre a diferença de categoria está espelhada na vantagem pontual que não sorri aos portistas por acaso, nem por simpatias… E não falta quem ache que o FC Porto não se aguenta, quando nos próximos meses o que se assistirá, mais uma vez, é à incapacidade de várias equipas jogarem em provas nacionais e internacionais.

É curioso, antes de mais, notar que dentro de um mês e picos teremos quatro equipas portuguesas ainda nas eurotaças, o que é de assinalar. Não direi histórico, diria histérico, porque neste caso sou eu que não dou o benefício da dádiva de assim catalogar o feito na primeira versão – porque claramente falta o mérito onde muitos vêem categoria na repescagem de terceiros classificados da Liga dos Campeões o que até já redundou em 2000 na vitória do Galatasaray na Taça UEFA por esta escapatória para a glória.

Sinais dos tempos, seguramente, com as trocas e baldrocas a que se assiste nas competições europeias que já não são o que eram, ajudam os que erram…

Em Espanha é que é competitivo…
Pois quem embandeirou em arco com as quatro equipas portuguesas ainda na Europa se calhar esteve na primeira linha do “bota-abaixismo” da Liga lusa. Quando o FC Porto chegou a 10 pontos de avanço sobre o 2º classificado, à primeira em que
puderam apanhar Hermínio Loureiro atiraram logo os ousados pés-de-microfone: “Não o preocupa que a Liga seja decidida antes do Natal?”, ou algo neste espírito.

No início de Dezembro havia a expectativa de a diferença do 1º para o 2º ficar reduzida a 1 ponto. O FC Porto ganhou na Luz e sucessivamente cavou um abismo com a concorrência. As mesmas equipas que competiam em Novembro tiraram competitividade à Liga, depois algumas mostraram na Europa que o nosso campeonato não lhes tira valentia e competitividade e, por fim, a mesma competitividade ressuscitou pelo Natal com o FC Porto só 7 pontos à frente de que vem atrás.

Foi o suficiente para se cair noutro exagero.
No FC Porto ninguém encomendou as faixas de campeão. Os primeiros a dizer que faltava muito campeonato foram os portistas, que sabem correr contra si próprios pois da sua capacidade inigualável depende as esperanças que dão ou tiram à concorrência.

Mas foram acusados, na embriaguez natalícia de tudo comprar, de já festejarem o título! Logo uns ousados saíram a terreiro, desafiantes, a dizer que… falta muita Liga. Os mesmos que em campo perdem no confronto directo com o FC Porto enchem o papo de coragem. Têm toda a legitimidade, mas afinal quem é o fanfarrão da história?

Há quem não tenha olhos para ver quem é melhor na Liga. Embora denuncie que lhe “cheira” a campeão com muita antecedência. Com que medida se tira a competitividade? Em Espanha o Real Madrid leva 7 pontos de avanço sobre o Barcelona onde foi vencer por 1-0 e marcar no campo próprio quem é melhor como fez o FC Porto na Luz. Parece simples? Não, confundir sentimentos com evidências é que dá espectáculo. Por cá, os tristes do costume só no final do campeonato dão razão ao ditado: “O sábio ajusta a sua crença às evidências”.

Coincidências a mais ou bruxedo?
Há coincidências do arco da velha, devem antes de tudo lamentar os portistas.

Entre a derrota de Leiria há um ano e o desaire de pré-Natal na Madeira viu-se:

a) erros de arbitragem clamorosos a contribuírem decisivamente para as duas derrotas

b) Elmano Santos foi árbitro em Leiria e 4º árbitro na Choupana

c) O FC Porto viu também os postes impedir golos

d) Hélder Postiga teve actuação desastrada em ambos os jogos

e) Mas no fim ficou, nas duas situações, a diferença de 7 pontos para o 2º lugar

f) Quaresma foi expulso em Leiria e esteve ausente na Choupana, sempre por deficientes análises dos árbitros

g) Cumpridos os castigos, Quaresma voltou e vai voltar agora frente à Naval no primeiro de dois jogos seguidos em casa (Estrela e Naval; Naval e Braga).

Parece bruxedo ou são coincidências a mais que os mesmos factores estejam nestas derrotas. Eu acredito mais nas coincidências do que nas bruxas.

Pressionada pela gritaria amedrontada, irracional, dos pés-de-microfone, a instituição Liga parece “agradecer” as ocorrências para salvar do alegado marasmo o campeonato da Liga. Não, estes finórios já nem se contentam com o campeonato da 2ª Circular e também não toleram a aproximação de clubes da província, que rebaixam com o estafado “nivelamento por baixo”. Então, se estão por baixo como querem ser equiparados aos bicampeões que podiam ser pentacampeões (ai a Liga de 2004-05!).

Como já não é o “Apito Dourado” e sua pressão “merdiática” a fazer resultados, uns árbitros escolhidos a dedo, ora para uns castigos oportunos (amarelo de Benquerença a Quaresma frente ao V. Guimarães), ora para transformar penáltis em faltas fora da área (Pedro Henriques na Choupana), devem concorrer, como na última época, para aumentar a intensidade cardíaca de quem quer Liga até ao fim.

A boa Imprensa
Ainda que pareça anedótico que os apreciadores de atletismo admirem um vencedor da maratona pela capacidade de lutar sozinho até contra si mesmo, mas os adeptos do futebol sejam incapazes dessa capacidade de leitura agonística dirigida só a uma equipa que esteja dois anos e picos à frente do campeonato nacional, a verdade é que os tipos da bola, meros espectadores ou críticos mais ou menos profissionalizados, são únicos em não saberem apreciar um desporto que também mede os limites de competitividade e sofrimento de uma equipa a lutar por superar barreiras no seu percurso.

Daí que para uns desportistas de bairro não seja bom que uma equipa domine, mesmo que o justifique, um campeonato de 30 jornadas (às vezes mais) e com 16 concorrentes (ou mais também). Há-os esquecidos de que o FC Porto ganhou por aí uns 80% dos campeonatos dos últimos 20 anos. Há-os selectivos, que só lembram façanhas iguais das suas equipas a quem não ousaram (e muitos nem assistiram) duvidar da seriedade de tantos títulos. Há-os discretos; mais animosos; enervados; prazenteiros; e mesmo alguns desportistas que até apreciam a coisa da Liga tal como é e não como gostariam que fosse.

Tem havido, em geral, a boa Imprensa para a instituição Liga que não liga nada e só tem aparato mediático e “spinners” como se vê só nos clubes do regime. A Liga que cria uma Taça da Liga para deitar fora em duas penadas mais de metade dos concorrentes à partida, falhando nos “timings” de arranque, figurino e democraticidade antes anunciadaos, ousou dizer que os espanhóis vieram cá inspirar-se para saber como se monta uma competição em escassas semanas.

Um folclórico acordo ibérico entre as Ligas de Portugal e Espanha só alinhavou, de palpável, um torneio entre os respectivos campeões de II Divisão! Mas foi tudo apresentado com alguma cerimónia, sem perceber-se se pelo baixo presidente Hermínio Loureiro pôr-se em bicos de pés ou pela figura patética que a Liga espanhola, também enredada pelos interesses inalienáveis dos clubes mais poderosos, deu de si. Foi uma pobreza franciscana em que nem a coragem de trocar árbitros em vias de profissionalização se perspectivou – não se sabe pelo atavismo português e medo da comparação congénito ou se pela rejeição espanhola de quem sabe ser melhor na matéria.

De Adriaanse a Bento
A boa Imprensa pôs-se ao lado de um castigado da Liga: Paulo Bento disse “há falta de vergonha” nas arbitragens e nas nomeações e levou 12 dias de castigo. Páginas inteiras a falar e dissecar o caso. Há menos de dois anos, só por dizer “É falta” (Naval-Porto, Taça de Portugal, árbitro Bruno Paixão), tal como foi exposto no relatório do árbitro, Co Adriaanse levou 15 dias de castigo… e tudo ficou esquecido.

Vê-se a medida e o bom senso.

4 comentários:

  1. Isto da visão da competitividade tem muito que se lhe diga. O ano passado foi um dos campeonatos mais competitivos de sempre, entramos para a última jornada com tudo por resolver, mas como quem foi campeão foi o FCP, lá se voltou a dizer que se perdeu competitividade, que o campeão é sempre o mesmo, etc.

    Só quando os outros são campeões, felizmente isso tem sido raro nos últimos anos, é que elogia-se o bom, e competitivo, futebol praticado aqui no burgo, mesmo que se continue a verem, cada vez mais, jogos fraquinhos e sonolentos.

    Mas, tenho a fé, que essa história do " ainda falta muito campeonato" e que " o FCP vai escorregar" esta semana irá terminar.

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  2. Liga intercalar Varzim 2- Porto 0: exibição ridícula!
    Quem veste a camisola do F.C.Porto tem que a dignificar, seja na prova que for.

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  3. Não gostei mesmo nada da derrota na liga intercalar!
    Como é possivel que tenham jogado de inicio,6 jogadores do plantel principal e termos perdido este jogo?
    Só prova que ou estão desmotivados ao realizarem estes jogos ou então não têm categoria para fazerem parte do plantel!
    Merecemos uma explicação para o sucedido ou um pedido de desculpas de alguem...da SAD?
    Cump.

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  4. Eu para dizer a verdade penso mesmo que há falta de competitividade na liga portuguesa. Mas isto deve-se apenas ao facto de o FCPorto ser superior em todos os aspectos.

    Por mim eles podem continuar preocupar-se, e bem porque ela realmente existe, com a falta de competitividade, isso só será sinal que o FCPorto anda à frente e muito.

    Um abraço.
    PS: O pessoal ainda anda a recuperar dos "liquidos" bebidos na passagem de ano e está sem forças para escrever aqui na caixa de comentários ou ainda não arranjaram este ano as "ganas" para discutir futebol? Será pela falta de competitividade? :-) Está tudo tão calmo...

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