05 março 2015

Só equipas pequenas reclamam de um golo sofrido cedo

Volto ao clássico com a certeza de cedo terem esgotado as análises que jogos destes merecem para mais em pasquins que se reclamam da especialidade, um deles, básico e bacoco de novo entregue ao cabotino director que em 10 anos reduziu as vendas a metade de 92 para 43 mil/dia, até deixou de ser o maior diário desportivo e passou a generalista "especializado em desporto" (sic) que vale o que vale.
 
O que me apetecia dizer desde domingo tinha a ver com a velha reclamação do tal "golo sofrido cedo". Marco Silva foi apenas o último numa longa lista de treinadores de pequenas equipas que lamentam a sua "estratégia" ter sido afectada por um golo cedo. Quando é que é cedo para sofrer um golo?
 
Cito de memória, mas creio que o 1-0 de Tello foi pelos 30 e poucos minutos. É cedo? Ridículo. Mas a blogosfera leonina lamentou-o e repetiu-o à exaustão.
 
Mas já tivemos quem se queixasse de um golo cedo, aos 6 ou 7 minutos. Foi no último 3-0 ao Sporting para o campeonato, em 1999-2000, quando Inácio tinha pegado na equipa e dois jogos depois chegou às Antas e perante o resultado inapelável até desejou o FC Porto campeão "se não for o Sporting".
 
Por acaso até acabou a ser o Sporting, apesar de Roquette a meio da prova ter dito que "a melhor equipa não ia ganhar o campeonato" e era o FC Porto líder. Adiante.
 
O "golo cedo" só afecta as equipas que não vão para ganhar, mas para ver o que o jogo dá, normalmente equipas pequenas que vão sujeitar-se ao poderio de uma equipa mais forte. É comum na visita ao Porto.
 
Não tenho ideia de um treinador do FC Porto - por isso digo que é a profissão de maior risco em Portugal, além de não ser apaparicado a não ser que, como Couceiro, venha de Lisboa com o beneplácito da Imprensa amiga, ou Fernando Santos ao seu tempo - dizer semelhante coisa. E várias vezes o FC Porto sofreu golos cedo, nos primeiros 10', ou 20' ou mesmo 30' e nem sempre ganhou mas raramente perdeu, sabendo dar a volta a maior parte das vezes. Mas, no fim, queixar-se de "um golo cedo que afectou a equipa ou prejudicou a estratégia" é infantilidade que a Imprensa de merda reconhece mas não identifica, deixa andar.
 
Parece que o golo de abertura afectou o Sporting. Dois minutos antes, Herrera quis brilhar sozinho quando tinha dois colegas em posição frontal à baliza para servir. O lance a solo acabou mal rematado, por cima. Mas o golo cedo só tardava. O faz que joga mas não joga do Sporting, este ano insuficiente como era esperado com o desdobramento por várias provas e da forma que se antevia sem ser com a facilidade da época passada, deu para disfarçar a sua incapacidade até ao golo cedo.
 
O FC Porto sofreu um golo mais cedo em Alvalade e quase dava a volta ao texto no final, mas Tello desperdiçou nos descontos e guardou o melhor para o Dragão. Um golo cedo, um autogolo fortuito que nada o Sporting justificou, não mexeu com o FC Porto no jogo da Taça mal perdido apesar de tantas ocasiões criadas, mas deixou nos pategos e basbaques a ideia de o Sporting ter sido superior em Outubro. Não foi.
 
Em Portugal, nas análises da treta elaboradas para agradar à plateia ou mais concretamente à alcateia dos que esperam palha servida com babetes a proteger a selvajaria intoxicativa, não só se fazem críticas pelo resultado como já pelo "golo cedo".
 
Equipas grandes não sofrem por um golo cedo.
 
A diferença do marcador foi bem mais do que isso e espelhada no futebol e jogo jogado já antes visto na partida da Taça em que só enormes contrariedades impediram o FC Porto de ganhar e estar hoje, quem sabe, na semifinal com o Nacional.
 
Mas o futebol é assim, bem mais do que um lamento por um golo cedo. E discursos da treta.

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