11 março 2015

Vermelho nos 40 anos do PREC

 
Acontece, ainda, no 11 de Março de hoje, 40 anos depois de uma alegada tentativa de "golpe de Estado" que serviu um propósito político de (tentar) instaurar uma ditadura comunista em Portugal. Algo que já vinha temperado pela agit-prop visceralmente comuna (criada precisamente na proto URSS pelos bolcheviques como forma de "instruir" um povo já não escravo, porque libertado pelo cazarismo da terra e do senhor, mas ainda e sempre ignorante e analfabeto) lançada a 28 de Setembro de 1974 em que a manifestação da "Maioria Silenciosa", absolutamente pacífica e convocada de apoio ao poder então em vigor (no caso o general Spínola à cabeça do MFA), foi simplesmente atacada pelas forças ditas revolucionárias no que foi o verdadeiro início do Processo Revolucionário em Curso (PREC) cujos efeitos ainda hoje se notam mas os destruidores da Economia de então, ainda hoje no Parlamento a defender "os trabalhadores", preferem falar dos malefícios da adesão à CEE (11 anos mais tarde, mas Portugal já tinha palco internacional, quebrando gradualmente o isolacionismo, no âmbito da EFTA).
 
Ora, a data histórica não podia ser mais irónica quando o FC Porto se torna, de novo, o emblema de Portugal por excelência na Europa. Antes do 25/4, o FC Porto era um parceiro menor, sem influência nem representatividade através da Imprensa nacional, salvo a que, então pujante e hoje desaparecida, se publicava no Porto: era o JN mas, ao tempo, CP e PJ eram até mais fortes em vendas, especialmente o "Janeiro".
 
O futebol é, aqui, um pretexto para abordar o problema de fundo, mas hoje em dia qualquer coisa é pretexto para qualquer coisa, então de paneleirices nem se fala e as gajas fazem-se ao deboche com descaramento estúpido e desfaçatez intelectual que o acesso aos Media não permitem contestar. A Liberdade permitida pela Internet, as Redes Sociais fez muito mais pelas pessoas, os seus anseios e opiniões, do que uma suposta liberdade de Imprensa que os serventuários do poder torpedearam por dentro. A Imprensa, hoje, está tão castrada, instrumentalizada, como há 40 anos - eu lia o JN diariamente e via as pessoas que lá trabalhavam; hoje sem ler e conhecer por dentro dá-me vómitos tudo aquilo. Adiante.
 
Tivemos o Verão Quente de 1975 mas não parece, pela aragem, que se fale ao longo dos próximos meses dos acontecimentos extraordinários de há 40 anos. É pena, muitas pessoas ficariam a saber o que eram aquelas massas e o que são, hoje, muitos que vêm daquele tempo, muitos também que se transfiguraram: quase ninguém da Política tuga actual pode dizer que, há 40 anos, não estava entre os radicalistas de Esquerda: do Barroso do MRPP ao Pacheco Pereira do MDP e os do PS eram tão radicais vs moderados como são hoje entre os Galambas idiotas e as Moreiras abstrusas. E, contudo, a Maioria Silenciosa existia, como existe: quem rejeita subjugar-se ao politicamente correcto e à tendência da moda, aquela que por décadas manietou gente tão bem conceituada como os suecos, por exemplo, onde muita gente de há 40 anos bebia o saber da "economia social" e a "transformação pacífica da sociedade" numa de autómatos sem opinião nem relevância. Estou a acabar de ler um livro da época, "O Novo Totalitarismo - a Experiência Sueca", comprado por acaso por... 50 cêntimos. Aterradora a inspiração de Olof Palme que, por exemplo, era o inspirador de Mário Soares e a "Social-Democracia" igualmente apregoada em Portugal (plasmada no PPD, por exemplo) era tanto uma mescla de RDA com sovietização suave à moda da URSS sem excessos torcionários estalinistas.
 
Eu tinha 12/13 anos por aqueles tempos, vivi muita coisa de perto por estar próximo da Baixa do Porto e ao lado do Quartel-General (Exército, com Polícia Militar) onde tantos acontecimentos ocorreram mesmo antes do 25/4 (explosão de bomba em noite de Marcello Caetano falar à família, em Março/74), mas não tinha bem consciência nem política (impossível) nem do significado dos tumultos. A Imprensa era absoluta e facciosamente radical. Mas ao ler coisas como esta ou esta já fico a par do que se passou com contexto que conhecia mas não identificava claramente. O jose tem feito um trabalho notável para quebrar o isolacionismo tuga mergulhando, com páginas da época, em histórias fascinantes que nos avivam a memória.
 
Em 2014 não faltaram, meses a fio, programas dos 40 anos de Abril, na rádio e tv públicas, mas parece que o período mais escaldante - e mais fracturante mesmo, provocando a separação das águas e a definitiva secessão do Mário Soares progressista de Esquerda face a Cunhal comunista inveterado crente cego na ditadura, dita do proletariado que não deixava de ser remetido, etimologicamente, a criar prole e trabalhar como burro sem direitos - vai passar ao lado dos que querem reescrever a História. A Social-Democracia fez o mesmo na Suécia e décadas de "progressismo social" levaram, além da famosa taxa de suicídios, à reviravolta dos anos 90 em que aquilo já não dava mais e a ideologia foi enterrada de vez.
 
Enquanto no fds dei conta, fugazmente, de repórteres aflitos atrás do ministro Paulo Portas em que um corajoso pé-de-microfone repetidamente o chamou de "cobarde" por sair de uma cerimónia pela porta de trás evitando os apaniguados do costume da CGTP e quejandos, mas sem notar alguma menção nos blogues ao regressar a casa esta semana, passou igualmente inadvertido o lançamento de um livro que podia fazer o contraponto, democrático, livre e desempoeirado, a outros livros que no ano passado circularam a recuperar as memórias dos presos políticos da PIDE, por causa do 25/4.
 
Foi lançado na semana passada o livro de quem viveu, na carne, o arremedo torcionário do PREC logo a 28 de Setembro de 1974. Não consta que tv's e jornais pegassem no assunto, ajudassem a divulgação e chamassem o autor a falar do que muitos preferem esconder. Por sinal, um familiar de Marcello Caetano... Mas isso agora não interessa nada, a Imprensa abafou e o vermelho renasce como tentou há 40 anos, felizmente sem sucesso mas não sem que muita violência (no Porto com episódios extremos, na Serra do Pilar e no assalto ao Palacete dos Pestanas em cuja vizinhança, na Lapa, eu vivia então, à Praça da República).deixasse o País à beira da impensável Guerra Civil depois abortada por múltiplos factores, internos e externos, permitindo a restauração do regime democrático que os alegados "democratas" torpedeavam grotescamente (cerco da AR, greve em resposta do Governo de Pinheiro de Azevedo e muitos episódios hoje patuscos mas à época alarmantes).
 
Prontos, temos aí o vermelho vivo para, sem querer, nos lembrarmos do que podíamos ter sido, ou tornado, involuntariamente, porque umas almas julgadas iluminadas queriam conduzir Portugal a uma Albânia - incensada pelo major Tomé ou o camarada Acácio Barreiros do MRPP depois deputedo PS - ou mero satélite da URSS que a Albânia já então recusara ser, algo que só comunas como Bernardino Barros podiam fazer a elogiar a democracia na Coreia do Norte e o órgão do PCP saudando sempre as conquistas dos trabalhadores em Cuba e na Venezuela... nos dias que correm com espuma abundante da merda de outros tempos.
 
Não estranhem se continuarem a não saber, os mais novos, pela Imprensa rigorosamente controlada e, como há 40 anos, politizada abjectamente. O que temos é isto, o que hoje se vê e mesmo pelo que se não vê.
 
Resta saber se, fundadas muito depois daqueles tempos em brasa e com a abertura do espaço televisivo, no início dos 90 para as tv's que agora comemoram aniversários entre Janeiro e Fevereiro, pela mão do Cavaco Silva hoje pomo da discórdia mesmo para quem lhes abriu os horizontes (e sou insuspeito de falar do cara de nojo da PR), a SIC e a TVI vão, elas livremente (?), tomar as rédeas do assunto. Just kidding...

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