26 janeiro 2014

Quaresma ressucita o fantasma de Kelvin

Até há pouco era Carlos Eduardo o projectado "salvador" do perdido futebol portista, de resto incensado com a "aposta pessoal" de Pinto da Costa. Isto segundo se lia há semanas em O Jogo. Ok, O Jogo faz a sua jogada de se curvar perante o presidente portista, estendendo a passadeira ao Preocupações Fonseca quando há um ano atirava para a fogueira o Vítor Pereira. Opções e leituras legítimas mas não isentas de críticas.
 
Agora é Quaresma o salvador mesmo, de resto este uma "aposta pessoal" de Preocupações Fonseca, segundo referido por Pinto da Costa. Esta coisa das lealdades inquebrantáveis continuam a ser um mistério insondável se eu fosse ingénuo e a campanha "fica Fonseca" não estivesse em curso como bem (mal) demonstrou o presidente há uma semana. De resto, na esteira, O Jogo areja sempre a passadeira vermelha. Como? "Aupando" o jogador e as opções técnicas e de mercado, como dizem os espanhóis e, por exemplo, fazem os jornais de Lisboa aos jogadores dos seus clubes representativos. Nada de mal, nunca O Jogo soube, de resto, definir-se para que lado cair, apesar dos dichotes e o pecado original de ser uma criação portuense e vagueou sempre no limbo de uma projecção nacional que a idiossincrasia sulista, elitista e regional jamais perdoou, rejeitando-o por colagem ao FC Porto. Adiante.
 
Ora, quando parece que Quaresma é que entorta os adversários e dá asas aos flancos do Porto, dizem que até Varela é positivamente contagiado, esquecendo que Varela era dos raros exemplos bons na equipa ainda antes de Quaresma chegar, a equipa é que andava e anda mal, está a esquecer-se Kelvin que foi ostracizado. De resto, tal como Carlos Eduardo.
 
Partantos, Carlos Eduardo apareceu do nevoeiro sem apontar-se quem o fez andar perdido na penumbra da B e ausente da Europa. Kelvin sofreu o mesmo "estigma" num filme surrealista do Produções Fictícias e, entretanto, cada vez que é evocado Quaresma é mutatis mutandis Kelvin que vem à tona como outro proscrito do treinador aparentemente nunca tido e achado para nada nestas responsabilidades que lhe cabem em exclusivo. Parece que não havia alguém que entortasse os defesas contrários, porque Kelvin nunca teve oportunidades, não sabemos se partiria os rins a alguém ou mereceria a bonomia que os excessos de sempre de Quaresma mostram neste regresso mas com a aura dos sebastiões que acolhem tudo, tudo, tudo dos elogios e bandeiras despegadas.
 
Não sei como isto vai acabar, mas é um processo mediático que discordo e uma vantagem competitiva ainda por comprovar, sem tirar mérito à reinserção de Quaresma. Um Quaresma que já não vai à linha, quase não passa um adversário em corrida como é pedido a um extremo e ainda é capaz Varela de fazer mas que tem um perfume de jogo e um rasto de genialidade "mesmo parado" que já se viu capaz de catapultar os colegas e impulsionar a equipa. Quanto ao que podia ter existido e parece que nunca foi congeminado, isso agora não interessa nada. A "narrativa" em curso é que conta.

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